terça-feira, 6 de outubro de 2020
domingo, 19 de abril de 2020
Modelo de Projeto de Pesquisa de Mestrado em Educação.
Se você chegou até
aqui, muito provavelmente, assim como eu há dois anos atrás, deve ter
vasculhado toda a internet e não ter encontrado um modelo para lhe auxiliar na
elaboração do seu projeto de pesquisa de mestrado, não é? Pois bem, em 2018, eu
vivenciei esse mesmo dilema quando da minha preparação para seleção do Mestrado
em Educação da Universidade Federal do Oeste do Pará Ufopa. Pesquisei de forma incansável
e não tinha encontrado algo que pude me ajudar de forma concreta. No mais, algumas
partes isoladas de projetos. Pensando em ajudar quem possa estar sentido dificuldades
na elaboração do seu projeto, pensei em compartilhar meu projeto de ingresso
(este projeto não é o que estou pesquisando). Vale frisar, que não é um projeto
perfeito. Aliás, você leitor (futuro mestrando) perceberá que o mesmo possui
muitas deficiências desde a ordem conceitual como a metodologias e os instrumentos
metodológicos a serem utilizados, bem como também, o método escolhido para análise
dos dados produzidos. Ainda assim, acredito que servirá de base para construção
do seu projeto.
Mais na frente (assim
que minha dissertação estiver quase pronta rsrsrs) pretendo fazer alguns posts
enfatizando cada parte do projeto de pesquisa.
Dúvidas deixem nos
comentários.
O projeto você pode
baixar nesse link https://pt.slideshare.net/romulojoseviana/formando-pedagogos-leitores-a-leitura-literria-na-formao-inicial-do-pedagogo-do-campus-de-bidos-da-ufopa
terça-feira, 31 de março de 2020
Ao filho que tenho
Escrevo ao
filho que tenho.
Ao filho que
me faz ficar tolo, dengoso, manhoso...
Que me faz
traçar diálogos no Bebenês, no iti malia...
Que faz
despertar em mim um conceito novo de amar te amando.
Que me faz
imaginar dedicatórias acadêmicas em teu nome.
Escrevo ao
filho que toma do café que faço,
Que assiste
comigo a filmes não comerciais
Que ainda
ouve minhas músicas e
Escuta minhas
histórias literárias.
Escrevo ao
filho que rouba meu lugar no sofá
E que me
expulsará da cama.
Que me faz
amar...
Que me faz amá-lo...
Que me faz
antes de tudo ficar tão bobo imaginando:
Os dias que
ainda faltam para te ver sorrindo
Pra te ver
andando...
Os dias em
que irei acalentar teu choro em prantos.
Te segurando
em meus braços e te ninando:
“Dorme neném que a cuca vai pegar, mamãe
foi para roça e papai foi trabalhar”.
Óbidos, 2020
sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Aos olhos semimortos
Tristonhos olhos...
Aqueles olhos que lhe pareceram semimortos.
Eram tímidos
Pareciam carregar em sim certo quê de não sei o que,
Que os faziam rígidos as inconstâncias do momento.
Mas vez ou outra acompanhavam a contração física do rosto.
Eram de vida e morte.
Aliás, diziam que o corpo acompanhava toda a fisionomia do
semblante.
Assim, era de toda reflexo do próprio olhar…
Certa vez, fitou-a seriamente.
Encante!
Penetrou, singularmente, na anatomia poética daqueles
olhos...
Não queria. Sim, não queria.
Mas como encante (sempre a revelia do ser encantado),
Passou a imaginar aqueles olhos em tudo que via...
quarta-feira, 6 de junho de 2018
Reflexões de um escritor
“Escrever
é um ócio muito trabalhoso”. Afirmou, certa vez, Goethe. Talvez, não para
todos. Uns, na primeira tentativa, conseguem preencher as linhas brancas da
folha de papel. Outros, depois de inúmeras tentativas, a única coisa que
conseguem é a dor de cabeça. Mas não parece haver tamanha dificuldade em
escrever. Como diria Neruda, “escrever é fácil: você começa com uma letra
maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias”. Logico,
que Pablo Neruda simplificou todo o processo de composição textual. Deixou de
lado os percalços felizes e, principalmente, penosos que Clarice Lispector fez
questão de declarar: “cada vez que eu vou escrever, é como se fosse à primeira
vez. Cada livro meu é uma estreia penosa e feliz”.
Escrever exige
competências de diversas ordens. Mas é fato considerarmos não se tratar de dom
divino. É um exercício constante do aprender fazendo. Lembrei-me que quando
comprei meu primeiro notebook (na finada loja Yamada, em Santarém) me comprometi
que escreveria constantemente. Imaginei-me criando em meu blog um editorial
semanal que ao dia determinado postaria ali um texto de assunto relevante do
momento. No pensamento seria um Millôr caboclo. Não cumpri com a promessa.
Passei a perceber que, no meu caso, os textos não me obedeciam. Controlavam o
tempo próprio de gestação. Uns nasciam rebeldes à fecundação de alguma leitura
especifica. Outros, ainda que fecundados de leituras e experiências passadas,
tardavam numa gestação quase que própria: sem dia e hora exata para nascerem. E
ainda existiam outros que, prematuros, sobreviviam somente ao primeiro sinal de
pontuação.
A cabeça de quem
escreve fervilha constante de muitas produções textuais, que a qualquer momento
poderão ganhar vida. Exemplo tem diante de teus olhos, meu caro leitor. Saiba
que esse texto por dias foi ruminado e ao passo da primeira linha escrita
desviou-se de seu objetivo primeiro e caminhou por linhas próprias.
Intuição? Talvez estivesse apenas adormecido. Quem sabe fruto de leituras e reflexões
passadas? Mencionando o passado, lembrei-me da leitura da Odisseia motivada
pela grande mestra América Mota, na formação do Propedêutico, no Seminário São
Pio X. As aventuras do valoroso Ulisses me motivaram a escrever textos com a
essência do herói. De igual maneira, Fabiano, de Vidas Secas. Eis uma das
condicionantes para se produzir textos: leitura prévia.
Enfim, que para cada
texto ceifado no primeiro parágrafo possa nascer mais dois. Pois, a única coisa
que não pode jamais acontecer, para quem escreve, é deixar de escrever.
domingo, 25 de fevereiro de 2018
Inglês de Sousa e sua importância para a cidade de Óbidos
Sem mais delongas: qual a importância que o
escritor Inglês de Souza tem para a cidade de Óbidos? É importante perpetuar
esse sentimento de orgulho por se ter um conterrâneo que ao lado de Machado de Assis,
e tantos outros literatos, fundou a Acadêmica Brasileira de Letras? Calma, caríssimo
leitor vamos às explicações.
Recentemente, em rede social, um edil da câmara de vereadores de Óbidos fez
uma enquete em, sua página pessoal, pedindo a opinião de seus (e)leitores
quanto a uma proposta sua de homenagear o centenário de morte de Herculano
marcos Inglês de Sousa. A proposta consistia na substituição do nome atual de
uma rua por Avenida Inglês de Souza. O resultado,
como já previsto, foi uma total negação da proposta. Mas isso não é o maior
agravante. O que causou perplexidade mesmo foi ler comentários dizendo que não
há mais necessidade de homenageá-lo (o pouco que já se fez basta). Ou comentários
questionando o que Óbidos vem a ganhar com isso? Por outro lado, também vale
ressaltar que a pesquisa revelou que os munícipes sabem quem foi Herculano
Marcos Inglês de Sousa. No entanto, será se essas mesmas pessoas também sabem
quem foi Luiz Dolzani (pseudônimo com o qual assinava suas obras)?
Não basta apenas saber quem foi inglês de Sousa: é preciso
conhecê-lo. É preciso valorar sua obra.
Diferentemente do que muitos pensam não é por que
Inglês de Souza viveu poucos meses em Óbidos (tudo indica que ele foi embora
com apenas quatro meses de idade, conforme cronologia de Vicente Salles, no
livro História de um pescador), que sua representatividade deva ser menor. Aliás,
não é o tempo que ele morou aqui o balizador para medir o quanto ele possa ser
importante para a cidade, e sim o seu legado literário-cultural que tomou Óbidos
como a grande inspiração para o conjunto de sua obra. E ouço dizer mais: diante
da escassa historiografia do município a obra inglesiana configura-se como
documento histórico-social (leia-se a descrição da cidade feita por ele em nota
no livro O Cacaulista).
Herculano Marcos Inglês de Sousa habita num mundo
de notáveis escritores mundiais. É de se perpetuar sim o sentimento de alegria
por ter sido ele um exímio escritor naturalista nascido no interior da Amazônia.
Só que mais que isso é preciso redescobrir sua obra. Demonstrar sua importância
para os munícipes (só se valoriza aquilo que se conhece). É preciso, acima de
tudo, torná-la lida. Ter exemplares na biblioteca pública e nas escolas. É preciso
demonstrar que essa literatura inglesiana faz parte da cultura da cidade tal
como a cultura do carnapauxis, a cultura material arquitetônica dos casarios e
as muitas manifestações artísticas espalhadas pelo município.
Que neste ano de centenário de morte do autor
possamos celebrar o seu legado. E para tanto defendo a realização de uma grande
programação literária (festival de literatura, concurso de contos, poesias...)
como também a instituição da medalha Inglês de Souza destinada para pessoas que
se destacarem no campo das artes e principalmente da literatura. E ao invés de
trocar o nome de uma rua por que não renomear algum prédio público com o nome
do nosso exímio escritor obidense?
Fica aqui a humilde opinião de quem lê e estuda a
obra inglesiana. E que, além disso, orgulha-se em morar na mesma cidade em que
nasceu um dos maiores escritores da nossa literatura.
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
II Seminário de Gestão: escola como organização educativa
Ocorrerá, no dia 01/03/2018, nas dependências do Campus da Ufopa em Óbidos, o II Seminário de Gestão. Neste ano o tema será: A escola como organização educativa.
Este evento é resultado da disciplina de mesmo nome ministrada na turma de Pedagogia 2015 do Campus Óbidos. E o objetivo principal do evento é conectar ideias no âmbito da gestão escolar.
O encontro será voltado a toda comunidade externa, mas principalmente a estudantes, gestores, coordenadores e professores da educação básica.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Resumo do livro HISTÓRIA DE UM PESCADOR - Scenas da Vida do Amazonas, Inglês de Souza
Em História de um Pescador, como o próprio título já sugere, temos a difícil
vida do pescador José narrada. Bem como definiu Vicente Salles: “trata-se da luta do tapuio José, contra a
exploração do capitão Fabrício, pelo endividamento progressivo e submissão aos
seus caprichos de chefe político e grande proprietário de terras”.
Ocorre que, o personagem José,
fora estudar no colégio de S. Luiz Gonzaga, em Óbidos, tendo o seu pai sido
convencido pelo vigário da necessidade de ensinar alguma coisa ao curumim. Mas como
não fora por vontade própria a ida de José para o colégio, o mesmo sofria com a
distância e o modo de vida a que estava acostumado no sítio. Esta sofrível vida
perdurou por quatro anos. Até que um dia, a mãe o fora visitar para
anunciar-lhe a notícia da morte do pai, Anselmo Marques, tapuio pescador do Igarapé
de Alenquer. Que morrera afogado em uma viagem que fizera a Santarém por ordem
do capitão Fabrício Aurélio.
Se a vida de estudante era
ruim, o ruim mesmo estava por vir.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Dez curiosidades sobre a História de Óbidos...
Por Pe. Sidney Augusto Canto
01. As tensões políticas e o “quebra urna”...
Há 150 anos atrás, o clima político em Óbidos era tenso. A disputa entre os dois únicos partidos, o Liberal e o Conservador levou a um fato inusitado. Em 07 de setembro de 1868, militantes invadiram a Igreja Matriz de Santa Ana e quebraram a urna, invalidando, assim, a eleição dos novos vereadores municipais. Uma segunda eleição seria realizada naquele ano, desta vez, sob o olhar de reforço policial enviado da capital da Província. Tudo correu “em paz”, com vitória do partido Conservador.
02. O médico da Comarca de Óbidos...
Há 150 anos atrás, era criado o cargo de “Médico da Comarca de Óbidos”, que deveria cuidar da saúde dos cidadãos obidenses. Como primeiro “Médico da Comarca”, foi nomeado o dr. José Veríssimo de Mattos, que começou a exercer o cargo em novembro daquele ano. Dr. Veríssimo não era um desconhecido do povo obidense, visto ter sido médico da antiga “Colônia Militar”, que havia sido extinta em 1865.
03. Os primeiros dias da Comarca de Óbidos...
Criada pela Lei Provincial Nº 520 de 23 de setembro de 1867, teve como seu primeiro juiz o dr. Marcos Antônio Rodrigues de Souza, que era juiz de direito da Comarca de Parintins, sendo dela removido a 21 de dezembro de 1867 para tomar posse e instalar a Comarca de Óbidos a 16 de fevereiro de 1868. Dr. Marcos era, também, Deputado Provincial naquele mesmo ano. Seu primeiro promotor público foi nomeado a 03 de fevereiro de 1868, trata-se do dr. José Clímaco do Espírito Santo, que tomou posse a 22 de abril do mesmo ano, ficando apenas alguns dias na Promotoria de Óbidos, sendo transferido, no mesmo ano, para a Comarca de Breves.
04. O falecimento de um ilustre pároco...
No dia 17 de setembro de 1864, após padecer nove dias de dor e sofrimento, falece, em Óbidos, o padre Raymundo Antônio Sanches de Brito, que foi pároco da igreja matriz de Santa Ana por 50 anos. Sacerdote zeloso e exemplar, mereceu elogios a ele tecidos pelo cientista protestante Henry Bates, quando de sua passagem pelo município de Óbidos.
05. A “questão religiosa” e o vigário de Óbidos...
No dia 18 de fevereiro de 1872, o vigário interino da cidade de Óbidos, o padre Manoel José da Cunha renova publicamente seus votos de obediência e adesão à fé católica, pronunciando-se contra os “opositores” da Igreja (no caso os maçons), que perseguiam o então Bispo do Pará, Dom Antônio de Macedo Costa.
06. Notícias sobre os imigrantes cearenses...
Por causa da “grande seca” do ano de 1876 e 1877, muitos cearenses migraram para o Pará, onde estabeleceram colônias distribuídas a critério do Governo Provincial. Foi assim que, no dia 04 de janeiro de 1878, o presidente da Província do Pará, manda os senhores Singlehurst Brocklehurst & Cia., darem passagem de proa no vapor “Theresina” a uma leva de imigrantes cearenses que deveriam desembarcar em Óbidos para começar uma nova colônia na cidade.
07. Um surto de varíola e o abandono médico...
No início do ano de 1900, um passageiro do vapor do “Loyd Brasileiro” desembarcou em Óbidos. Dois dias depois, foi descoberto que ele estava infectado com varíola e foi colocado em quarentena num casebre abandonado fora da cidade. Era tarde demais. A epidemia espalhou-se pela cidade no exato momento em que o médico local, dr. Salvador Rezzo, pediu exoneração do cargo de Comissário de Higiene e deixou a cidade e povo abandonado à própria sorte.
08. No respaldo da grande cheia de 1918...
O Intendente Municipal de Óbidos, Graciliano Negreiros, pede que o governo do Estado interceda ao Ministério da Guerra, que libere os soldados recém-engajados no quartel instalado no município, pelo período de 30 dias, para que os mesmos possam ir aos seus sítios de várzea, salvar o que restava de seu gado.
09. A estrada para a Guiana Holandesa...
Em 1917, o Intendente Municipal de Óbidos, tenente Graciliano Negreiros, dava início à construção de uma estrada que deveria ligar a cidade de Óbidos à Guiana Holandesa. Foram gastos 30:000$000 (trinta contos de réis) do dinheiro dos cofres do município e abertos apenas 29 km da referida estrada.
10. A navegação a vapor com o rio Trombetas...
Em 13 de janeiro de 1900 (outras fontes citam 14), começa a funcionar a linha de navegação a vapor de Óbidos ao Alto Trombetas. Esta linha era de propriedade do sr. Francisco Gomes de Azevedo, mas subvencionada pelo Governo do Estado. A linha, entretanto, havia sido pedida 10 anos antes, pelos comerciantes e políticos da cidade.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
Literatura da melhor qualidade
Wildson
Queiroz[1]
Com
título “Um pouco de muitas histórias”, o mais recente livro de Célio Simões de
Souza, ilustre obidense, é um belo exemplo do que temos de melhor na literatura
paraense contemporânea.
A
obra reúne uma seleção de crônicas com relatos sobre a infância e juventude do
autor vividos em sua cidade natal e em outras localidades, conta fatos curiosos
e até engraçados do cotidiano de quem vive no interior da Amazônia.
Sem
fugir da tradição literária da sua querida Óbidos, tão famosa por conta dos
ilustres Inglês de Sousa e José Veríssimo, o livro eleva seu autor, já
consagrado no meio jurídico e acadêmico, ao mesmo nível literário de seus
conterrâneos famosos.
O conteúdo apresenta-se de forma magistral sem
tornar a leitura cansativa ou entediante, os textos foram escritos de modo acessíveis
ao público em geral, não incorrendo em termos técnicos ou acadêmicos.
Impossível
não imaginar as cenas pitorescas narradas no livro levando-se em conta os
detalhes tão bem empregados pelo autor no desenrolar das histórias,
transportando o leitor ao momento exato em que o fato se dá, a bucólica Óbidos
e sua gente tão bem retratada nas mais diversas situações vividas por quem habita
as cidades quase esquecidas deste imenso país.
Li
com enorme prazer e recomendo com franqueza “Um pouco de muitas histórias” a
todos que apreciam literatura da melhor qualidade e tenham interesse em se
aprofundar e conhecer um pouco mais sobre a história e os causos regionais
contados por Célio Simões de Souza de forma leve, divertida e tremendamente
agradável.
[1]
Pedagogo, historiador e escritor, sócio fundador do Instituto histórico e
Geográfico do Tapajós – IHGTap.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
Análise do filme O Sorriso de Monalisa
O
Sorriso de Monalisa, 2004, do diretor Mike Newell conta
a saga da professora de História da Arte Katharine
Watson que tem a difícil tarefa de lecionar em um dos colégios mais
conservadores dos Estados Unidos na década de cinquenta: o colégio Wellesley. Professora com pensamento a frente de seu
tempo, se vê aprisionada pedagogicamente no tradicionalismo educacional do
colégio e na formação educacional que o mesmo propunha a suas alunas: a
formação de boas esposas.
Embora
o plano principal seja o enfoque nos desafios vivenciados pela professora
Watson com suas alunas o filme retrata principalmente a tendência pedagógica
praticada pela escola e o pensamento vivido na década de cinquenta nos estados
unidos, quanto a isso, destaca-se o papel da mulher na sociedade
estado-unidense. No que diz respeito ao método pedagógico escolar, em Wellesley
predomina o saber tradicional sem espaço para o questionamento. Eis, por isso,
o dilema da professora personagem principal do filme, uma vez que esta assume
uma forma questionadora de lecionar o que é bem explicito em seus métodos de
ensinar. Em uma das passagens do filme a professora lança o questionamento em
sala de aula para suas alunas: o que é arte? Esse questionamento, aparentemente
muito óbvio, rompe com o conteúdo automatizado da turma. As alunas, estudiosas
ao demonstrarem domínio de todo o conteúdo da apostila, não suscitavam
indagações a se próprias relacionadas a conceituação das obras de artes que
estudavam e conheciam. O que torna com que uma obra de arte seja considerada
como tal? Pode uma fotografia também ser considerada como uma obra de arte?
Nesse sentido é que a professora propunha despertar o aprender a aprender e
como consequência foi tratada como subversiva. Mas questionar o até então
inquestionável configura-se crime de subversão? Talvez para a sociedade da
época sim.
Outro
ponto bastante destacado é a concepção formativa proposta pelo colégio
Wellesley: as estudiosas alunas recebiam formação para serem boas esposas. Muito
embora, a qualidade do ensino e cobrança das alunas fosse estupenda não havia
motivação da parte da escola para que essas alunas assumissem profissões na
sociedade. No fim, acabariam como “perfeitas” donas de casa.
Por fim,
o filme tem aspectos de discussões interessantes que ainda nos dias de hoje nos
fazem (re)pensar o papel da mulher na sociedade.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
EU DIGO NÃO! AO FECHAMENTO DA ESCOLA DUQUE DE CAXIAS
Durante
esses dias, ao retornar as redes sociais, tomei de espanto um assunto, desses
que a notoriedade se dá mais nas próprias redes sociais do que nos outros meios
de informação. Tratava-se do quase fechamento (a depender do dia em que você esteja
lendo este artigo, caro leitor) da Escola Duque de Caxias, aqui na cidade de
Óbidos.
Estupefato
com a notícia estagnei-me em reflexões próprias para tentar entender o porquê
de se fechar uma escola. E a primeira vista, ou ao primeiro pensamento, fiz a
correlação com um empreendimento que não deu certo e ao final chegou-se a decisão
de fechá-lo. Mas é possível tal analogia? É possível e permitido que escolas
sejam fechadas? E para não correr o risco (mesmo já correndo)
de emitir opiniões apaixonadas pautadas unicamente na defesa da educação púbica
e de qualidade é que busquei ler algumas opiniões dos envolvidos nesse triste e
preocupante imbróglio.
Primeiro:
não defendo fechamento de escolas. Dito isto parto para minhas reflexões. Respondendo
questões que suscitei acima, ao que consta o município pode sim fechar uma
escola. Nesse caso deverão ser consultados os conselhos de educação como define
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB. Segundo a secretária de educação
de Óbidos, Ana Nilva, isso foi feito. Por outro lado, os pais alegam que em nenhum
momento foram consultados sobre tal medida. Será se esses não deveriam também ter
sido ouvidos? Mas por que fechar a Escola Duque de Caxias? Segundo a secretaria
de educação as fundamentações principais são:
a falta de estrutura física para a prática de esportes (quadra esportiva) e
o pouco número de alunos matriculados
obrigando uma reestruturação dessas turmas para outras escolas do município.
Discussão
pra cá... discussão pra lá... elenco meus argumentos pelos quais enfatizo minha
opinião totalmente contrária ao fechamento da escola. a) A Escola Duque de
Caxias é uma das melhores escolas (se não a melhor), dentro da sua abrangência de
séries, classificada no IDEB, quando comparada as demais no município de
Óbidos. http://www.xupaosso.com.br/index.php/obidos/educacao/3168-duque-de-caxias-teve-a-melhor-pontuacao-do-ideb-em-obidos
(classificação de 2014); http://www.xupaosso.com.br/index.php/obidos/educacao/1591-a-escola-duque-de-caxias-tem-a-melhor-media-do-ideb
(classificação de 2012); além disso, a escola apresentou um dos melhores índices nos últimos anos:
2011: 5,3; 2013: 5,6; e em 2015: 5,8, sempre acima da meta; b) Ainda que a
estrutura física não seja a mais adequada à escola possui central de ar em
todas as suas salas conquista da própria comunidade escolar que se mobilizou
para a aquisição das centrais. Para um argumento raso, no entanto, chega quase
ser um privilégio uma vez que quase todos os alunos da rede pública têm de
suportar o calor infernal das salas; c) O pouco número de alunos por turma o
que deveria ser visto como algo positivo, pois como sabemos com poucos alunos o
professor pode desenvolver um trabalho melhor; d) História e tradição na educação
obidense. São 48 anos construindo a formação educacional de milhares de pessoas;
e) Escola é Escola e como tal não pode simplesmente ser vista como um bem que
chegou ao fim de sua vida útil.
Por fim, faço um apelo aos gestores do município, em especial
prefeito e vereadores. Não joguemos uma pá de cal em mais uma história desse
município. Ao invés de fechar a escola, embora haja competência e legalidade
para tal, por que não pensar um pouquinho mais e tentar propor junto à
comunidade escolar uma solução para os problemas existentes?
Que, ao passo que este artigo seja lido por você, amigo
leitor, a escola ainda exista, haja aula, haja vida naquele espaço. Mas se do
contrário nada disso venha a permanecer convido desde você a ler meu futuro artigo:
Óbidos a “cidade do já teve”...
Some-se a nós. Diga NÃO você também.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Por novas lembranças imagéticas
Quando
iniciamos o aprendizado de aprender a fotografar tudo se torna fotografável aos
nossos olhos. Logo, o nosso álbum virtual cresce de tal forma que não conseguimos
mais espaço para guardar tudo aquilo que clicamos. E como imagens essas
capturas ganham simbolismo especial ao passo que relutamos muitas vezes em
apagar esta ou aquela imagem. Mas chega o momento em nosso progresso que
precisamos recapturar de forma nova todos os instantes inúmeras vezes clicados
por nós. Temos que matar aquelas velhas imagens!
Uma foto
é muito mais que uma impressão num quadro, ou as curtidas recebidas quando
exposta em rede social. Fotografias são memórias imagéticas. São traduções de
uma vida, de um recorte (a)temporal, de alegrias e tristezas reveladas por meio
de um processo mecânico-químico. Mas uma fotografia não pode tornar mecânico o
olhar do operador da câmera. Por isso, matei minhas fotografias antigas
(deletei literalmente). Pus-me num processo de fazer totalmente novo o velho;
de dar luz a novos ângulos e conceitos próprios.
E hoje,
que comemoramos o dia do fotógrafo mais que nunca (re)pensemos no nosso
conceito de produção de imagens, no nosso conceito de memórias imagéticas uma
vez que, a todos que fazem uso da criação de imagens (fotografando), recebem
também o título de fotógrafos. Sim! Fotógrafos todos são. E por isso, nos
compete o processo de recriação.
Matemos
nossas antigas memórias imagéticas; e façamos vir à luz todas as fotografias inéditas.
Viva
a fotografia!!!
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
Óbidos: a mais portuguesa da Amazônia. Mas até quando?
Ainda
que possa parecer que a maior vocação cultural de Óbidos seja o seu famigerado Carnapauxis (ressignificado a partir de
1997), o que de fato torna essa cidade única do ponto de vista cultural é a
ainda presença marcante de seus casarios. Tanto isso é fato que durante esses
dias o Ministério da Cultura, dando prosseguimento ao processo de tombamento, homologou o tombamento do Forte Pauxis e dos resquícios da Fortaleza Gurjão (próximo passo será a
inclusão desses dois bens no Livro do Tombo). Mas estranhamento a isso, no dia
de hoje, me surpreendeu uma discussão em um grupo de WhatsApp quanto à descaracterização
de um imóvel no centro da cidade, para dar lugar a uma fachada “mais moderna”. ‘
“A
cidade do já teve”! Se por um lado à cidade ganha reconhecimento nacional
quanto ao processo de tombamento de tais bens (sendo um deles a única
construção, pós-período regencial, a se manter de pé no Brasil), por outro, não
avança na conscientização da preservação de sua história por parte de seus
moradores e na efetivação concreta no que diz respeito ao processo de
tombamento municipal. Sim. Óbidos tem legislação própria quanto a isso mas,
infelizmente, esbarra num processo moroso de garantir em lei a preservação
arquitetônica de sua própria história (vale lembrar a celeuma que foi a
derrubada dos resquícios da casa da bacuri).
A Lei nº 3.753, de 20 de julho de 2009
que “dispõe sobre o processo de
tombamento e dá outras providências” atribui ao gestor municipal,
ouvido o Conselho Municipal de Proteção
do Patrimônio Cultural e Artístico de Óbidos, decidir sobre os atos de
tombamento. Logo, cai por terra a fala de que a prefeitura não pode tombar seus
bens públicos ou bens privados (conforme estabelecido na lei). Mas se há uma
lei municipal, se há também um Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio
Cultural e Artístico de Óbidos por que tantos prédios estão sendo
descaracterizados? E outros, “tombados” no sentido negativo da palavra?
Não!
Esse texto não tem por objetivo tomar partido político. Mas falando em política
(ou politicagem) o atual gestor disse em bom tom que durante seu mandato nenhum
prédio histórico seria demolido em Óbidos. Quase um ano de mandato e o que
vemos é a repetição de notícias passadas que não se tornaram realidade ainda.
Nosso maior símbolo arquitetônico - Forte
Pauxis - abandonado. Morrendo física e historicamente.
É
preciso fazer valer a lei existente. É preciso também que as organizações
culturais constituídas assumam seu papel de representantes culturais perante a
sociedade no que diz respeito à educação patrimonial. Se do contrário nada for
feito chegará o dia em que diremos que Óbidos um dia teve o título de cidade mais portuguesa da Amazônia.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
Os novos rumos que queremos para os Campi da UFOPA fora da sede
Finalizado
o processo de consulta a comunidade acadêmica quanto à escolha do novo reitor
da Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA é hora de sonharmos a UFOPA
que queremos para os próximos quatro anos, principalmente, no que diz respeito
à expansão dos Campi fora da sede Santarém, que durante os quase oito anos de
vida da Universidade ficaram a margem dos investimentos que se fizeram quase
que, exclusivamente, na Perola do Tapajós.
Creio
que a principal medida é tornar nossa Universidade verdadeiramente Multicampi,
pois assim ela foi criada pela Lei nº 12.085, de 5.11.2009.
E muito embora esse caráter seja expresso em lei ainda é
muito comum se referirem aos Campi fora de sede como um “Campus do Interior”.
Ora? Mais interior de qual capital? Da futura capital do Estado do Tapajós? Mas
que uma denominação essa relação entre os Campi quando posta como sede e interior nos remete a um processo
de interiorização da educação superior (basta lembrarmos o exemplo da UFPA em
Santarém) e por trás desse tipo de visão está o pensamento de que a sede (no
caso Santarém) deve concentrar sempre os primeiros investimentos. Mas nossos
Campi localizados em seis municípios nasceram concomitantemente às unidades da
UFOPA em Santarém. Vale aqui esclarecer que quando a Universidade foi criada,
os cursos, que naquela ocasião se concentraram somente em Santarém deveriam
também ser instalados nos municípios onde se teria um Campus. Como também os
códigos de vagas para servidores técnicos e docentes, sem falar nas funções
gratificadas e cargos de direção (hoje alocados quase que exclusivamente na
sede).
Assumida a postura
Multicampi o que vislumbramos é uma expansão do que hoje já temos ou começamos
a ter. Recentemente, a gestão atual, “oficializou” o funcionamento dos Campi
com os primeiros cursos regulares. Mas não deixando esquecer que a UFOPA funcionava
desde 2010 e nesses municípios com a oferta do PARFOR. E que desde 2010
servidores técnicos administrativos já atuavam em espaços cedidos pelas
prefeituras (salas, nas muitas das vezes sem o mínimo de estrutura para o
desenvolvimento adequado do trabalho).
Hoje, nossos Campi em sua
maioria funcionam apenas com um curso superior, queremos em médio prazo sonhar
com pelo menos mais um curso que seja escolhido levando em conta o real
potencial de desenvolvimento do município (e não uma escolha como foi feita com
os cursos atuais que até hoje não se sabe quem foi o responsável por
escolhê-los). E além de cursos superiores queremos pós-graduação, implantação
de laboratórios, espaço físico adequado, novos servidores técnicos e docentes,
bibliotecas que atendam nossos acadêmicos, e principalmente casa própria (para
aqueles Campi que estão iniciando no aluguel). Queremos também ser ouvidos no
processo de tomada das decisões de nossa Universidade.
Por fim, que o sonho
poético da chapa vencedora expresso na poesia abaixo se torne carne e osso no
dia a dia de nossa Universidade.
É chegada
a hora de nos conciliarmos com um novo tempo.
O tempo
de congregar os excluídos,
Dos que
ainda nem nasceram
E dos
natimortos.
Acabou-se
o tempo do "não",
Das
gavetas, do fona.
Acabou-se
o paredão.
Acabou-se
a maratona.
Vamos
depor as armas,
Os
escudos.
"Forjar
de nossas espadas relhas de arados"
Para
alimentar nossos miúdos e suas fadas.
Vamos desmontar
o circo e partilhar o pão.
Brindar
ao vinho que plantarmos juntos.
Fazer crescer
esta nação de todos os campos,
De todos
os cantos,
De todos
os prantos.
De todas
as almas de chão.
Para
explodimos em alegria e êxito..
Porque o
povo esperou e espera o que não veio.
Seremos
unos na messe do que virá
Como um
inabalável esteio.
Juntos a
ombreamos os novos rumos de nosso caminho sem pedra,
Sem medo, sem hesitação.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
Em outubro Óbidos recebe 6ª edição do Festival de Cultura, Identidade e Memória Amazônida
De 26 a 28 de outubro de 2017 a cidade
de Óbidos, no Oeste do Pará, terá mais uma edição do Festival de
Cultura, Identidade e Memória Amazônida. Com o tema “Amazônia:
efervescências culturais”, o VI Fecima é uma realização do Programa de
Pesquisa e Extensão Cultura, Identidade e Memória na Amazônia (Cima) da
Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).
O evento relaciona a riqueza
patrimonial histórica, cultural, memorial e natural da Amazônia,
mostrando a região como lugar de memória e de expressão de diversas
identidades, com o propósito de servir de espaço de debates e divulgação
de produções locais. Minicursos, oficinas, palestras, mesas-redondas,
caminhadas, manifestações artístico-culturais, leituras dramáticas e
exposições são algumas das atividades programadas.
Este ano também ocorrerá o II Feciminha
no primeiro dia do evento, com uma programação específica voltada para o
público infantojuvenil, com o objetivo de incentivar o hábito e o gosto
pelas questões de cultura, de identidade e memória regionais.
Inscrições – Até o dia 1º de
outubro está aberto o prazo para submissão de resumos para apresentação
oral, pôsteres, minicursos, oficinas ou outras atividades científicas,
extensionistas ou artístico-culturais. As propostas deverão ser enviadas
ao e-mail fecimaobidos@gmail.com, de acordo com as normas de submissão do evento.
Ouvintes e participantes podem inscrever-se até 26 de outubro na página do evento. Não há taxa de inscrição. Haverá emissão de certificado.
Veja a programação e outras informações no sítio www.fecima.comunidades.net.
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