segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O Pôr do Sol do Tapajós



       Que Pôr do Sol deste Sol do Tapajós.
Encante de rara beleza.
Encantando o homem envolto na natureza
Num despedir-se lentamente no banzeiro do entardecer.
Paradoxo da vida e da morte nas águas negras desse Tapajós:
Vida que clareia as águas. Morte que se apaga, no horizonte dessas águas quando o sol vai definhando.
E de longe comtemplando o caboclo está...
Olhando a perder de vista,
Esse sol que se despede de mais um dia. 


sábado, 20 de dezembro de 2014

Causos Amazônicos: o menino encantado de corpo e alma



O acontecido é de muito tempo atrás. Aconteceu ali pelas mediações do Arumã, Flexal, Igarapé-açu comunidades da Óbidos Amazônica. Ciloca, ainda no vigor da juventude, acabara de bater o açaí quando desceu, por volta do meio dia, para lavar as peneiras e as vasilhas no igarapé. O menino de cinco anos correu na frente com a peneirinha na mão. Quando a mãe chegou com as demais vasilhas viu que a criança, misteriosamente, havia desaparecido ficando somente a peneira boiando sobre as águas. O desespero foi imediato. A mãe logo gritou despertando a preocupação dos moradores. Num instante, metade do vilarejo estava ali numa busca desenfreada pela criança. Homens na água, na mata... mas nada do curumim. Quando o sol já começava a dar sinais de despedida, um velho senhor lançou a suspeita de o caso ser de encante. E se de encante fosse, somente mestre Pacífico seria capaz de desfazer.
Mestre Pacífico, como se costuma dizer por aqui, era da época dos antigos, sexagenário descendente dos tapuias de quem herdara os dons do curandeirismo. O velho disse com a firmeza da certeza de que o menino havia sido levado pela mãe do igarapé, mas que a mãe não se preocupasse, pois o menino iria ser bem tratado, e se ela ainda o quisesse ver pela última vez a mãe do igarapé, depois de oito dias, iria emergir a criança das águas. A mãe cuidou de preparar os remédios ensinados pelo velho curandeiro. Depois de oito dias retornaram então ao local do sumiço da criança.
Por volta do meio dia, hora em que a criança havia sido levada pelas águas, conforme ensinado pelo mestre, a mãe despachou “os remédios” na beira do igarapé. Minutos depois, a criança emergiu das aguas segurada por duas mãos. Ciloca correu para pegar o filho, mas este desapareceu rapidamente para todo o sempre.
Há,até hoje, quem diga que depois desse episódio ouviu-se em toda a comunidade barulhos de uma festa que parecia vir do fundo das águas do igarapé. O barulho durou três dias e facilmente se podia ouvir o som de tambor, clarinete, saxofone e outros instrumentos musicais.
(causo reescrito a partir do relato do senhor Maisses Gomes, 79 anos)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

As Cabocl@rtes de Marli Braga Dias


Da ilha do Marajó uma artesã se destaca. Seu nome? Marli Braga Dias. Sua arte? Cabocl@rtes.
Marli se autodefine como simplesmente avó do Bruno Eduardo e do João Lucas. Interessa-lhe tudo o que se relacione com arte. Ela vive um encantamento caboclo na Ilha do Marajó o que lhe inspira a compor suas obras de artes, as Cabocl@rtes que são pinturas em tela ou confecção depainéis e bolsas em lona e juta, pintada à mão com motivos marajoara e com aplicação de sementes regionais.
A artista dispõe de um sítio www.encantocaboclo.com.br onde faz a exposição de todo o seu trabalho, além da divulgação da cultura local com a postagem de fotos de Marajó acompanhadas sempre de uma boa poesia, ou um belo texto.
Visite a página da artista para conhecer mais da sua arte.

OBS: as imagens aqui postadas foram retiradas do sítio da artista.







domingo, 14 de dezembro de 2014

31 anos. Muitos cabelos brancos. Mas ainda, sim, uma criança




Quando criança imaginava como seria a vida de adulto: aqueles cumprimentos, idas a casa do amigo sem ter um recado para dar, namoros, trabalho, as conversas serias proibidas a intromissão de crianças, enfim... o jeito de ser adulto. Mas logo, com a chegada dos anos (e os anos chegam sem pedir licença), fui percebendo que toda aquela vida que imaginei não era bem assim. A diferença? Sim. Pois, quando crianças agimos e pensamos como crianças. E quando crescemos deixamos as coisas de crianças. Mas não a essência de ser criança.
Hoje, entrando definitivamente na casa dos trinta, me sinto muito mais criança. Cheio de sonhos, desejos, alegria incontida na compra de um produto novo, contando as horas para o livro chegar pelos correios... Os mesmos sentimentos da pequenez da idade no decorrer da maturidade.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Alunos do Curso de Letras Português-Inglês do PARFOR defendem TCC no Campus de Óbidos - UFOPA


Em solenidade ocorrida no último dia 06/12, nas dependências da Universidade Federal do Oeste do Pará, Campus de Óbidos, os alunos da turma de Letras, Licenciatura Integrada Português Inglês, do PARFOR, defenderam seus trabalhos de Conclusão de Curso.
A cerimônia começou por volta de nove horas da manhã com a composição da mesa formada pelo Técnico em Assuntos Educacionais Rômulo Viana, pela Coordenada local do Parfor Elza Soares Barbosa, pelo orientador dos trabalhos Prof. Dr. Lauro Roberto do Carmo Figueira, pela representante dos alunos e pelos professores avaliadores.
Após as falas das autoridades, cantaram-se os hinos nacional e de Óbidos. Logo em seguida, desfeita a mesa, os alunos dirigiram-se as salas para a defesa dos trabalhos na modalidade baner.     
Parabéns aos novos Professores




segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Outros Escritos: ao “alferes” que há em nós




OBS: recomenda-se a leitura do conto O Espelho, de Machado de Assis.
Gosto do muito do trecho da Escritura que diz que junto ao nosso tesouro está o nosso coração. Mas embora a essência seja parecida, o caso aqui não é bíblico, e sim Machadiano. E fala além do coração. Revela as almas que possuímos. E se você, leitor, espantou-se pela quantidade de almas que há em cada individuo transcrevo a própria resposta do casmurro: cada criatura humana trás duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro...
A segunda alma, nossa de cada dia, não é narcisista, porque Narciso considerou somente a si próprio a única pessoa bela merecedora de seu próprio amor e por isso, morreu. Não de amar mais do que pôde. Mas de não poder amar-se como a paixão que sentiu por si próprio pedia. Esta nossa segunda alma só vive pelo reconhecimento do outro, obséquios de terceiros, a velha necessidade de estar sempre recebendo elogios (por mais falsos que sejam), de ser visto, reconhecido, bajulado... Mas que segunda alma é esta? É a alma onde depositamos quem de fato somos, ou queremos ser, ou ainda, que queremos que os outros nos façam ser. É a velha farda que vestimos. Farda simbolizada na representação do alferes machadiano. Que não sente a necessidade da farda. Mas os obséquios que a ele foram dados em virtude da vestimenta. E quantos alferes que a farda esgotou o prazo de validade, mas que a alma, a qualquer custo, quer continuar a ser “alferes”. Todo homem sente necessidade de ser alferes?
Agora me lembrei de um pretérito recente, em que a conjugação do verbo se fez perfeito. Perfeito para o meu próprio bem. Fui alferes religioso. Seminarista para ser mais preciso. E assim como o machadiano vivi um período de obséquios: era irmão Rômulo para cá, irmão Rômulo para lá, iguarias da época, que só aos padres eram oferecidas, a mim eram dadas em fartura: uma galinha caipira ao nosso querido irmão Rômulo... Mas não tardou para que eu perdesse o posto, não só do púlpito como também dos corações de alguns. Deixe a farda, ou melhor, a túnica. O contrário também poderia ser verdadeiro. Verdade mesmo é que deixei de ser alferes para muitos, pois para mim, nunca fui. Não que eu não tenha duas almas. Não que eu não sinta a necessidade de ser alferes, e sim, porque ainda não descobri onde guardo a minha segunda alma.