quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

II Seminário de Gestão: escola como organização educativa

Ocorrerá, no dia 01/03/2018, nas dependências do Campus da Ufopa em Óbidos,  o II Seminário de Gestão. Neste ano o tema será: A escola como organização educativa. 
Este evento é resultado da disciplina de mesmo nome ministrada na turma de Pedagogia 2015 do Campus Óbidos. E o objetivo principal do evento é conectar ideias no âmbito da gestão escolar. 
O encontro será voltado a toda comunidade externa, mas principalmente a estudantes, gestores, coordenadores e professores da educação básica.  

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Resumo do livro HISTÓRIA DE UM PESCADOR - Scenas da Vida do Amazonas, Inglês de Souza


Em História de um Pescador, como o próprio título já sugere, temos a difícil vida do pescador José narrada. Bem como definiu Vicente Salles: “trata-se da luta do tapuio José, contra a exploração do capitão Fabrício, pelo endividamento progressivo e submissão aos seus caprichos de chefe político e grande proprietário de terras”.  
Ocorre que, o personagem José, fora estudar no colégio de S. Luiz Gonzaga, em Óbidos, tendo o seu pai sido convencido pelo vigário da necessidade de ensinar alguma coisa ao curumim. Mas como não fora por vontade própria a ida de José para o colégio, o mesmo sofria com a distância e o modo de vida a que estava acostumado no sítio. Esta sofrível vida perdurou por quatro anos. Até que um dia, a mãe o fora visitar para anunciar-lhe a notícia da morte do pai, Anselmo Marques, tapuio pescador do Igarapé de Alenquer. Que morrera afogado em uma viagem que fizera a Santarém por ordem do capitão Fabrício Aurélio.
Se a vida de estudante era ruim, o ruim mesmo estava por vir.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Dez curiosidades sobre a História de Óbidos...


Por Pe. Sidney Augusto Canto

01. As tensões políticas e o “quebra urna”...
Há 150 anos atrás, o clima político em Óbidos era tenso. A disputa entre os dois únicos partidos, o Liberal e o Conservador levou a um fato inusitado. Em 07 de setembro de 1868, militantes invadiram a Igreja Matriz de Santa Ana e quebraram a urna, invalidando, assim, a eleição dos novos vereadores municipais. Uma segunda eleição seria realizada naquele ano, desta vez, sob o olhar de reforço policial enviado da capital da Província. Tudo correu “em paz”, com vitória do partido Conservador.

02. O médico da Comarca de Óbidos...
Há 150 anos atrás, era criado o cargo de “Médico da Comarca de Óbidos”, que deveria cuidar da saúde dos cidadãos obidenses. Como primeiro “Médico da Comarca”, foi nomeado o dr. José Veríssimo de Mattos, que começou a exercer o cargo em novembro daquele ano. Dr. Veríssimo não era um desconhecido do povo obidense, visto ter sido médico da antiga “Colônia Militar”, que havia sido extinta em 1865.

03. Os primeiros dias da Comarca de Óbidos...
Criada pela Lei Provincial Nº 520 de 23 de setembro de 1867, teve como seu primeiro juiz o dr. Marcos Antônio Rodrigues de Souza, que era juiz de direito da Comarca de Parintins, sendo dela removido a 21 de dezembro de 1867 para tomar posse e instalar a Comarca de Óbidos a 16 de fevereiro de 1868. Dr. Marcos era, também, Deputado Provincial naquele mesmo ano. Seu primeiro promotor público foi nomeado a 03 de fevereiro de 1868, trata-se do dr. José Clímaco do Espírito Santo, que tomou posse a 22 de abril do mesmo ano, ficando apenas alguns dias na Promotoria de Óbidos, sendo transferido, no mesmo ano, para a Comarca de Breves.

04. O falecimento de um ilustre pároco...
No dia 17 de setembro de 1864, após padecer nove dias de dor e sofrimento, falece, em Óbidos, o padre Raymundo Antônio Sanches de Brito, que foi pároco da igreja matriz de Santa Ana por 50 anos. Sacerdote zeloso e exemplar, mereceu elogios a ele tecidos pelo cientista protestante Henry Bates, quando de sua passagem pelo município de Óbidos.

05. A “questão religiosa” e o vigário de Óbidos...
No dia 18 de fevereiro de 1872, o vigário interino da cidade de Óbidos, o padre Manoel José da Cunha renova publicamente seus votos de obediência e adesão à fé católica, pronunciando-se contra os “opositores” da Igreja (no caso os maçons), que perseguiam o então Bispo do Pará, Dom Antônio de Macedo Costa.

06. Notícias sobre os imigrantes cearenses...
Por causa da “grande seca” do ano de 1876 e 1877, muitos cearenses migraram para o Pará, onde estabeleceram colônias distribuídas a critério do Governo Provincial. Foi assim que, no dia 04 de janeiro de 1878, o presidente da Província do Pará, manda os senhores Singlehurst Brocklehurst & Cia., darem passagem de proa no vapor “Theresina” a uma leva de imigrantes cearenses que deveriam desembarcar em Óbidos para começar uma nova colônia na cidade.

07. Um surto de varíola e o abandono médico...
No início do ano de 1900, um passageiro do vapor do “Loyd Brasileiro” desembarcou em Óbidos. Dois dias depois, foi descoberto que ele estava infectado com varíola e foi colocado em quarentena num casebre abandonado fora da cidade. Era tarde demais. A epidemia espalhou-se pela cidade no exato momento em que o médico local, dr. Salvador Rezzo, pediu exoneração do cargo de Comissário de Higiene e deixou a cidade e povo abandonado à própria sorte.

08. No respaldo da grande cheia de 1918...
O Intendente Municipal de Óbidos, Graciliano Negreiros, pede que o governo do Estado interceda ao Ministério da Guerra, que libere os soldados recém-engajados no quartel instalado no município, pelo período de 30 dias, para que os mesmos possam ir aos seus sítios de várzea, salvar o que restava de seu gado.

09. A estrada para a Guiana Holandesa...
Em 1917, o Intendente Municipal de Óbidos, tenente Graciliano Negreiros, dava início à construção de uma estrada que deveria ligar a cidade de Óbidos à Guiana Holandesa. Foram gastos 30:000$000 (trinta contos de réis) do dinheiro dos cofres do município e abertos apenas 29 km da referida estrada.

10. A navegação a vapor com o rio Trombetas...
Em 13 de janeiro de 1900 (outras fontes citam 14), começa a funcionar a linha de navegação a vapor de Óbidos ao Alto Trombetas. Esta linha era de propriedade do sr. Francisco Gomes de Azevedo, mas subvencionada pelo Governo do Estado. A linha, entretanto, havia sido pedida 10 anos antes, pelos comerciantes e políticos da cidade.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Literatura da melhor qualidade



Wildson Queiroz[1]
Com título “Um pouco de muitas histórias”, o mais recente livro de Célio Simões de Souza, ilustre obidense, é um belo exemplo do que temos de melhor na literatura paraense contemporânea.
A obra reúne uma seleção de crônicas com relatos sobre a infância e juventude do autor vividos em sua cidade natal e em outras localidades, conta fatos curiosos e até engraçados do cotidiano de quem vive no interior da Amazônia.
Sem fugir da tradição literária da sua querida Óbidos, tão famosa por conta dos ilustres Inglês de Sousa e José Veríssimo, o livro eleva seu autor, já consagrado no meio jurídico e acadêmico, ao mesmo nível literário de seus conterrâneos famosos.
 O conteúdo apresenta-se de forma magistral sem tornar a leitura cansativa ou entediante, os textos foram escritos de modo acessíveis ao público em geral, não incorrendo em termos técnicos ou acadêmicos.
Impossível não imaginar as cenas pitorescas narradas no livro levando-se em conta os detalhes tão bem empregados pelo autor no desenrolar das histórias, transportando o leitor ao momento exato em que o fato se dá, a bucólica Óbidos e sua gente tão bem retratada nas mais diversas situações vividas por quem habita as cidades quase esquecidas deste imenso país.
Li com enorme prazer e recomendo com franqueza “Um pouco de muitas histórias” a todos que apreciam literatura da melhor qualidade e tenham interesse em se aprofundar e conhecer um pouco mais sobre a história e os causos regionais contados por Célio Simões de Souza de forma leve, divertida e tremendamente agradável.












[1] Pedagogo, historiador e escritor, sócio fundador do Instituto histórico e Geográfico do Tapajós – IHGTap.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Análise do filme O Sorriso de Monalisa


O Sorriso de Monalisa, 2004, do diretor Mike Newell conta a saga da professora de História da Arte Katharine Watson que tem a difícil tarefa de lecionar em um dos colégios mais conservadores dos Estados Unidos na década de cinquenta: o colégio Wellesley.  Professora com pensamento a frente de seu tempo, se vê aprisionada pedagogicamente no tradicionalismo educacional do colégio e na formação educacional que o mesmo propunha a suas alunas: a formação de boas esposas.
Embora o plano principal seja o enfoque nos desafios vivenciados pela professora Watson com suas alunas o filme retrata principalmente a tendência pedagógica praticada pela escola e o pensamento vivido na década de cinquenta nos estados unidos, quanto a isso, destaca-se o papel da mulher na sociedade estado-unidense. No que diz respeito ao método pedagógico escolar, em Wellesley predomina o saber tradicional sem espaço para o questionamento. Eis, por isso, o dilema da professora personagem principal do filme, uma vez que esta assume uma forma questionadora de lecionar o que é bem explicito em seus métodos de ensinar. Em uma das passagens do filme a professora lança o questionamento em sala de aula para suas alunas: o que é arte? Esse questionamento, aparentemente muito óbvio, rompe com o conteúdo automatizado da turma. As alunas, estudiosas ao demonstrarem domínio de todo o conteúdo da apostila, não suscitavam indagações a se próprias relacionadas a conceituação das obras de artes que estudavam e conheciam. O que torna com que uma obra de arte seja considerada como tal? Pode uma fotografia também ser considerada como uma obra de arte? Nesse sentido é que a professora propunha despertar o aprender a aprender e como consequência foi tratada como subversiva. Mas questionar o até então inquestionável configura-se crime de subversão? Talvez para a sociedade da época sim.
Outro ponto bastante destacado é a concepção formativa proposta pelo colégio Wellesley: as estudiosas alunas recebiam formação para serem boas esposas. Muito embora, a qualidade do ensino e cobrança das alunas fosse estupenda não havia motivação da parte da escola para que essas alunas assumissem profissões na sociedade. No fim, acabariam como “perfeitas” donas de casa.
Por fim, o filme tem aspectos de discussões interessantes que ainda nos dias de hoje nos fazem (re)pensar o papel da mulher na sociedade.