terça-feira, 19 de maio de 2015

Entre Fotos e Retratos: um pensar sobre a fotografia


Você se considera um fotógrafo? O tópico frasal desse texto nos parece ser bem reflexivo se voltarmos o nosso olhar para um mundo cada vez mais preocupado em fotografar e se autorretratar. Prova disso, é a procura desenfreada por Smartphones com câmeras de resoluções cada vez mais altas (que coisa, hoje o celular parece ter perdido sua função primordial), cujo produto final visa mimetizar, na vida virtual, a felicidade aparente, principalmente, no momento de produção da famigerada selfie nossa de cada dia. Se por um lado, existe essa crescente onda de retratar e se autorretratar, por outro, a fotografia tem sido banalizada com os sucessivos aplicativos de celulares que prometem fotos extraordinárias bastando para tal um único toque na tela. Pois, nesses casos, o aplicativo age como a câmara escura.
Mas entre fotos e retratos há mais mistérios do que entre o céu e a terra. Se enquanto a fotografia é utilizada como ação de registro do momento, captura do real momentâneo, mimetismo artístico de uma realidade, ou ainda enquanto correspondência com as demais artes podemos entender o comportamento do fotógrafo a partir das ideias de um Barthes, Brassai, Dubois ou até mesmo, de um Proust. Mas quando o agente fotográfico se autorretrata a coisa muda de figura. Nesse caso já não olhamos mais a imagem fotografada pelos olhos de quem a fotografou. E sim, pelo reflexo da própria câmera frontal do celular. Como nesses casos o que menos importa é a captura artística imagética do instantâneo, já que se trata de uma representação do próprio eu, o “fotógrafo” age em desconforme os adjetivos fotográficos. Para entender esses casos, só mesmo pedindo ajuda a Freud.
Mas voltemos a nossa indagação oriunda dessa tentativa de dissertar sobre foto(grafias): você, caro leitor, se considera um fotógrafo? E como se a própria pergunta já não fosse o suficiente é preciso saber que tipo de fotógrafo, nosso leitor, se identifica.
Excluindo o profissional temos o amador, o que fotografa por hobby, o que simplesmente clica aqui ou acolá, e até mesmo, aquele que renega a si o título de fotógrafo (mesmo registrando o cotidiano). Mas ainda sim, entraríamos num outro debate: o que de fato nos faz pertencer a tal categoria de fotógrafos. E mais... falando sobre o produto final dos processos químicos da câmara escura, ou publicação virtual, o que seria uma boa foto? E o que seria uma boa selfie? Questões que a primeira vista não fariam tanto sentido. Mas se as interpretarmos do ponto de vista da necessidade do “se sou visto; logo existo” criada pela virtualidade social podemos enquadrá-las nas reflexões de entendimento do comportamento humano.
Enfim, cada um merece as fotos que tem. Sejam elas de celular, smartphones, ou DSLR´s. E como não podemos definir o padrão de belo e feio nas fotos expostas, já que isso é responsabilidade do olhar do espectador, curtamos, então, aquelas que despertam em nós a sensibilidade de se emocionar frente uma imagem.  

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