Pular para o conteúdo principal

O que foi o Poema Processo?


O poema/processo nasce de condições históricas e sociais dominantes no Brasil e no mundo da época, que criaram no país uma linguagem revolucionaria/racional próprias das aspirações de renovação que ocorriam, as quais exigiam a necessidade de uma abertura nos diversos caminhos da comunicação brasileira (Revista da USP).
Se na poesia concretista a palavra vinha em primeiro plano, pois era por meio de sua disposição na folha em branco que o leitor propunha a sua leitura do poema, agora a palavra é posta em segundo plano, uma vez que o novo poeta utiliza-se quase que exclusivamente de signos visuais. “Basicamente, procura explorar as possibilidades poéticas contidas em signos não-verbais. Trata-se de uma mensagem mais para ser vista do que para ser lida” (Faraco e Moura, Literatura Brasileira, pg, 383).

Características do Poema/processo:
  • Romper o bloqueio crítico e editorial que se fazia sentir desde as primeiras tentativas de divulgação e publicação de poemas que não exclusivamente verbais;
  • Marca para os novos poetas um novo tipo de trabalho intersemiótico que, ou ficava fora da literatura, ou a dimensionava para além dos limites em que ela se estava colocando;
  • Afirmar que a poesia existente nos livros rasgados não podia servir de modelo, pois estava superada e, ainda mais, porque a poesia é invenção e não cópia;
  • Questionar o verso como único elemento de força criadora poética, diante da realidade técnica, informacional, científica e cultural da época;
  • Assumir uma ação/significante que se apresentasse política no contexto daqueles duros anos;
O nome de destaque desse grupo é o do poeta Wlademir Dias Pino. Outros poetas: Ariel Tecla; José Cláudio; Neide Dias de Sã; Dailor Varela; Nei Leandro de Castro; Cristina Felício dos Santos; Moaci Cirne; Álvaro de Sá; Celso Dias; Aquiles Branco; Ronaldo Werneck; Anabela Cunha e outros.

Comentários

Postar um comentário

Gostou? Deixe sua opinião

Postagens mais visitadas deste blog

Como fazer um Relato de Experiência (exemplo) para apresentação em Jornada Acadêmica

Resenha: Versos, Sons, Ritmos GOLDSTEIN, Norma Seltzer. Versos, sons, ritmos. 14ed. São Paulo: Ática, 2008

GOLDSTEIN, Norma Seltzer. Versos, sons, ritmos. 14ed. São Paulo: Ática, 2008.
Resenha: Versos, Sons, Ritmos.  Existe receita mágica para a interpretação de um poema? E para um entendimento abstrato e concreto de uma poesia? Para Norma Goldstein, não! Em Versos, sons, ritmos a autora nos mostra que a análise de um poema é um aprendizado construído em todo o livro. Soma-se a teoria com a prática abordada pela autora. Poemas consagrados pela critica e pelo público servem de ensino-aprendizado. Assim, temos: Carlos Drummond de Andrade, camões, Vinicius de Moraes, João Cabral de Melo Neto e muitos outros. O livro pode ser dividido em duas grandes partes: a) estrutura inerente a composição física do poema; b) estrutura externa (análise levando em conta o leitor, o contexto, período histórico etc.) Na primeira parte, Goldstein apresenta-nos elementos que facilitam a compreensão do poema. São características que constituem o corpo físico do poema, a forma de espécies de poemas diferentes quanto …

Análise do poema A um Poeta de Olavo Bilac

No soneto A um Poeta, temos aí a metalinguagem quando o poeta utiliza-se de um poema para falar sobre o poema, ou seja, este soneto é um poema sobre o poema. Já no primeiro quarteto o poeta fala do exímio oficio de tecer o poema. O local ideal onde as ideias fluem, embora com dor e teimosia. Este é lugar é comparado ao claustro beneditino: “longe do estéril turbilhão da rua/ beneditino, escreve! No aconchego/ do claustro, na paciência e no sossego, trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua”! No segundo quarteto apresentam-se os cuidados que se precisa ter para a criação do poema, onde o poeta admite uma forma para o poema onde não transpareça o trabalho exigido pela criação: “mas que na forma se disfarce o emprego/ do esforço; e a trama viva se construa/ de tal modo, que a imagem fique nua,/ rica, mas sóbria, como um templo grego”. O poeta chega ao primeiro terceto dando mostras do resultado do trabalho feito, destacando principalmente a beleza o que se identifica com os princípios clá…

Análise da obra O Primo Basílio, de Eça de Queirós

De autoria de José Maria Eça de Queirós, O Primo Basílio é uma “fotografia” que revela a falsa moral presente nas famílias, aparentemente, de bem da sociedade burguesa de Portugal. Narrado em terceira pessoa, o tema central do livro é a infidelidade amorosa cometida por Luísa para com seu marido Jorge. O grande amante dessa situação é Basílio primo de Luísa, e que no passado foram amantes juvenis. Além da infidelidade, essa relação proibida dos amantes, gera uma ação de chantagem por parte da criada Juliana. O enredo Como já citado, a trama gira em torno do ato de traição que Luísa, esposa de Jorge, realiza com seu primo Basílio. Embora o casal Jorge e Luíza levasse uma vida feliz perante aos olhos da sociedade, a monotonia desgastava a relação dos dois. O que abriu portas para a infidelidade de Luíza, já que não se sentia mais amada e completada pelo homem com quem dormia. Aliás, na descrição que o próprio Eça de Queiróz faz na carta a Teófilo Braga, Luísa é "a burguesinha da Ba…

Análise do poema Lembrança de Morrer de Álvares de Azevedo

De autoria de um jovem poeta, a quem a morte não permitiu usufruir dos prazeres juvenis, Lembrança de Morrer traduz o extremo subjetivismo, à Byron, muito bem expresso numa temática emotiva de amor e morte. Aliás, é justamente dentro dessa temática que o poema representa a segunda fase do nosso Romantismo conhecida como Ultra-romantismo.  Desde a primeira estrofe o sentimento de melancolia vem à tona: “quando em meu peito... não derramem por mim nenhuma lágrima”. Ainda nessa estrofe percebemos a presença da linguagem de um poeta muito jovem, num inventário lexical onde o ser “foge à rotina, envisgando nos aspectos mórbidos e depressivos da existência:“pálpebra demente””(Alfredo Bosi). O poema segue na cadencia angustiada do poeta. Cada estrofe exemplifica o tédio existencial do eu-lírico. Existência angustiante que somente a morte simbólica pode ser a saída: “eu deixo a vida como deixa o tédio...”. e que, se a morte concretizada, apenas algumas lembranças o eu-lírico sentirá saudade, m…

O que se estuda no Curso de Letras?

Análise do poema Tabacaria de Fernando Pessoa

Navegar é preciso, viver não é preciso; Viver não é necessário; necessário é criar”./ “Tornar minha vida grande, ainda que o meu corpo tenha de ser lenha desse fogo”. “Como empurrado contra o mar, toda a sua história (de Portugal), literária e não, atesta o sentimento de busca dum caminho que só ele representa e pode representar” (MOISÉS, 2004:13). Prova disso, são os versos pessoanos de que “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Ora, esse verso somado a “Tornar minha vida grande, ainda que o meu corpo tenha de ser lenha desse fogo”, também inserem a arte a partir do ponto de vista do existencialismo. Ainda segundo MOISÉS (2004:178) agora no seu Dicionário de Termos Literários, o Existencialismo enquanto corrente filosófica dirigi-se para a essência do individuo. E enquanto elemento empregado na arte literária centra-se a sua atenção no desvendamento da existência. Fernando Pessoa expressa claramente essas afirmações nos versos já citados. Ele próprio, enquanto poeta, buscou e…

Um rio d'ouro

Um rio d’ouro deságua no meu peito, onde estarão teus poetas? Como negar silhuetas de montanhas na tua alma? As lágrimas e o sangue entrelaçados nessa tua tez de barro; não, não, eu prometo não chorar pelos teus melhores filhos, prefiro sentir o aroma das gordas piracemas, ouvir a chuva naquelas inesquecíveis palhas, hoje eu até fumaria pra embebedar-me do teu silêncio, pra sentir a integridade dos frutos dos teus cílios, pra reacender tuas velhas fontes e evitar que me leves ao mar porque não sei mais das tuas aldeias anciãs e nem quero esquecer a voz dessa cidade.

Resumo do Livro: A Poesia Lírica, Salete de Almeida Cara

No momento em que o homem grego, vendo sua vida cada vez mais submetida às leis da “polis”, resolve criar um modo de expressar-se de forma individual, nasce à poesia lírica. Era uma poesia para ser cantada com acompanhamento musical, geralmente a lira. As mais importantes foram: a poesia mélica (de “melodia”), a poesia de coro e as elegias que glorificavam deuses e vencedores de jogos, assemelhando-se assim a poesia épica. É na própria Grécia, com Platão e Aristóteles, que surgem os primeiros estudos sobre a poesia lírica ou mais precisamente sobre a poesia em geral. Para Platão, a poesia soma-se aos elementos do mundo vicário da imitação, pois nada mais é que uma imitação da imitação. No livro a República, Platão é o primeiro a tratar sobre uma teoria dos gêneros literários em que atribui à poesia função menor. Segundo a conceituação de poesia apresentada pela teoria dos gêneros, a poesia lírica seria o poema de primeira pessoa ou primeira voz. Já para Aristóteles, não somente a poes…

Análise do conto O Baile do Judeu, de Inglês de Sousa.

Em O Baile do Judeu, Inglês de Sousa cerca-se de vários elementos que constituem o imaginário do homem amazônico para narrar uma da lenda muito conhecida do caboclo da Amazônia: a lenda do boto. Esses elementos constituídos ao longo da narrativa iniciam já no espaço onde a história acontece: a casa do judeu.
É preciso entender, primeiramente, que segundo o que se sabe sobre a lenda do boto é que ele se metamorfoseia em homem e seduz as lindas caboclas em bailes a beira do rio. E a sedução contada no conto se dá na casa de um judeu.
A primeira manifestação do imaginário do homem amazônida é o medo em participar do baile justamente por ser na casa de um judeu. Aqui é preciso lembrar que sobre o povo judeu recai a culpa pela condenação e crucificação de Cristo. Por isso, para o baile, nem o vigário e o sacristão foram convidados. E os que foram, aceitaram o convite, embora temerosos de acontecer-lhes algum castigo. Como mais tarde, supostamente acontecera, aos integrantes da banda que des…
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...