sexta-feira, 15 de junho de 2012

A minha senhora partiu...


Os livros amontoados na mesa de jantar denunciavam a partida. Toda a literatura parecia está ali: de Homero com a sua Odisseia até Ruy Barata com o seu Pauapixuna. Na cozinha, o fogão denunciava a fritura diária. Da geladeira escorria água do congelador. No quarto, as apostilas da faculdade perdiam-se em meio a tantos objetos postos na mesa de estudo. A constatação era uma só: aquela senhora havia partido.


Os dias que se seguiram foram de tristeza. O senhor da casa, para afogar a nostalgia, passou a embriagar-se nos estudos. Dia e noite vivenciava aquelas narrativas românticas de sua estante. E nisso lembrava-se dos amores protocolares diários que vivia com a sua amada. Jamais um simples beijo pela manhã lhe fez tanta falta. Queria a todo custo à presença da amada ali com ele a cada instante. Mas esse desejo o destino não poderia atendê-lo de imediato. Agora ela estava nas Terras Obidenses bem distante de seus olhos e do afago dos seus carinhos.

Essa história não tem fim. Pelo que parece, vez ou outra serão um casal novamente: com amores protocolares e beijos em algumas manhãs.


2 comentários:

  1. Sem palavras... Sou grande admiradora do seu trabalho.

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  2. Também admiro o meu trabalho caríssima Amanda Mota

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