terça-feira, 6 de março de 2012

Resenha: Versos, Sons, Ritmos GOLDSTEIN, Norma Seltzer. Versos, sons, ritmos. 14ed. São Paulo: Ática, 2008


GOLDSTEIN, Norma Seltzer. Versos, sons, ritmos. 14ed. São Paulo: Ática, 2008.

Resenha: Versos, Sons, Ritmos. 
 
Existe receita mágica para a interpretação de um poema? E para um entendimento abstrato e concreto de uma poesia? Para Norma Goldstein, não! Em Versos, sons, ritmos a autora nos mostra que a análise de um poema é um aprendizado construído em todo o livro. Soma-se a teoria com a prática abordada pela autora. Poemas consagrados pela critica e pelo público servem de ensino-aprendizado. Assim, temos: Carlos Drummond de Andrade, camões, Vinicius de Moraes, João Cabral de Melo Neto e muitos outros.
O livro pode ser dividido em duas grandes partes: a) estrutura inerente a composição física do poema; b) estrutura externa (análise levando em conta o leitor, o contexto, período histórico etc.)
Na primeira parte, Goldstein apresenta-nos elementos que facilitam a compreensão do poema. São características que constituem o corpo físico do poema, a forma de espécies de poemas diferentes quanto a composição. Assim temos quanto ao ritmo, à simetria e a assimetria. E dentro desse conjunto físico temos os sistemas de metrificação que classificam o poema quanto ao numero de silabas usadas em cada verso. Os versos são classificados, pela autora, em versos brancos, poliméricos e versos livres. Não se trata de uma classificação estática. A autora passeia pelas diversas formas em que as estrofes podem se apresentar, como também, pela classificação das rimas empregadas pelo poeta. Esse conjunto de características fônicas serve para que o leitor aprofunde ainda mais sua leitura em relação ao poema. Mas a interpretação não se exaure somente nesse elemento.
Outros fatores auxiliares do leitor são abordados na segunda parte do livro. Trata-se de tudo aquilo que não se encontra implícito no poema, mas que serve de entendimento para a sua leitura. Um desses aspectos muito importante é o contexto histórico que data a feitura do poema. a autora ressalta que a compreensão desse gênero textual não pode ser feita isolada. Um pensamento poético sempre é fruto do meio no qual foi produzido. Goldstein afirma que o corpo do poema é uma unidade composta de níveis que se interligam. Nesse âmbito tem-se o nível semântico, sintático e lexical. As figuras de linguagem têm valor muito importante.
Mesmo para um leitor inexperiente na análise de poemas ou poesias, a leitura deste livro preenche tal deficiência. Sua leitura é de uma facilidade muito grande. Os exemplos trabalhados explicam perfeitamente a teoria fazendo com que o leitor navegue por mares literários.
O livro termina com uma análise de um poema de José Paulo Paes bem detalhada em que o próprio leitor exercita a interpretação estudada, como também, torna-se de capaz de fazer inferências em relação a análise proposta.


5 comentários:

  1. QUAL A IMPORTÂNCIA DO POEMA? É A SIMETRIA OU O CONTEÚDO DA POESIA? OS DOIS PARA MIM SÃO IMPORTANTES. SE A GENTE SE BASEAR SÓ NA SIMETRIA O OUTRO LADO VAI FICAR A DESEJAR,NÃO É? TEM QUE HAVER O EQUILÍBRIO
    ABRAÇOS.
    MARGARIDA

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    1. Obrigado pelo seu comentário. Com relação a minha opinião sobre a feitura e estrutura do poema, não gosto de me prender na análise estrutural (não que ela não seja importante) pelo fato de compor poemas e perceber que em muitos casos da-se mais valor a estrutura do que as possibilidades de significações.

      Grato. Fique conosco e curta nossa página wwww.facebook.com/Pescando.Literatura.no.Tapajos

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  2. sou margarida
    PEÇO-LHES DESCULPAS POR NÃO SER TÃO CLARA NAS MINHAS DÚVIDAS.
    QUANTO AO COMENTÁRIO ACHEI MUITO IMPORTANTE ESTA RESENHA, AMEI.GOSTARIA DE VER OUTRAS RESENHAS SOBRE OUTROS ASSUNTOS EM LITERATURA.
    EU SOU ALUNA DA FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ EAD; E CURSO LETRAS,
    ABRAÇOS;
    MARGARIDA.

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  3. Agradeço sua visita e seu comentário. Na medida do possível postarei novos assuntos de literatura

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  4. Essa questão de feitura e estrutura é comentada em um dos livros Folha Explica. Carlos Drummond de Andrade por Francisco Achcar. Drummond publicou seu primeiro poema No meio do caminho na Revista de Antropofagia em 1928 que deixou facilmente visível para o público.


    "No meio do caminho tinha uma pedra
    Tinha uma pedra no meio do caminho
    Tinha uma pedra
    No meio do caminho tinha uma pedra"

    Um poema sem métrica e sem rima, sem vírgulas e que repete a mesma coisa, foi alvo de crítica. Contudo Drummond publicou depois o seguinte poema:

    Gastei uma hora pensando um verso
    que a pena não quer escrever.
    No entanto ele está cá dentro
    inquieto, vivo.
    Ele está cá dentro
    e não quer sair.
    Mas a poesia deste momento
    inunda minha vida inteira.

    "Trata-se de uma concepção substancialista porque a poesia é vista como algo em si, uma substância independente das palavras, que existe fora delas e para a qual elas podem não ser suficientes: a poesia pode não estar no poema, o poema pode não se realizar, mas existe "a poesia deste momento". p28. Carlos Drummond de Andrade por Francisco Achcar

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