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De forma geral, as características que encontramos nesse poema nos remetem ao Romantismo. De inicio, temos um Eu - lírico em que os sentimentos são subjetivos, fazendo-se uso da função emotiva para firmar a lírica romântica. Muito comum ao nosso romantismo, temos o escapismo aí presente. Aliás, como uma forma de fuga da realidade, tem-se uma recorrência à natureza. Essa bem diferente da natureza árcade significa e revela. O sol revela a realidade ao poeta (e, hoje, quando do sol, a claridade...). Já a noite inspira-lhe ao sonho e a imaginação: mas a lua furando nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão... E o que dizer da mulher responsável por essa nostalgia embriagante eu – lírico em questão? Ela pode até não ter os cabelos tão negros como as asas da graúna, mas de certo se fez pomba num vôo em que somente a tristeza ficou: sinto saudade/ da mulher pomba-rola que voou. A presença de elementos da natureza nos faz crer que a vida pode ser tão feliz como o cantar dos pássaros: nosso barracão..., tinha um alegre cantar de um viveiro. Como já disse, a amada em questão pode até não ter os lábios de mel, ou os cabelos negros da cor da asa da graúna e nem a formosura de Isaura, mas tem a mesma sublimação das personagens citadas: tu pisavas nos astros distraídas... E esse devaneio do eu – lírico, em que ela caminha magistralmente sobre o reflexo das estrelas no chão da casa, é fruto das “forças inconscientes da alma: o sonho e a imaginação” que só a noite pode propiciar.
Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas nos astros, distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão
Adorei!
ResponderExcluirRenata Sena.
Fico feliz em poder ajudá-la.
ExcluirRealmente consegiu traduzir toda a alma do Poeta.
ExcluirObrigado
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