quarta-feira, 16 de março de 2016
Alunos da Escola Municipal Frei Edmundo Bonckosch visitam a Biblioteca da Ufopa em Óbidos
quarta-feira, 9 de março de 2016
Biblioteca Campus de Óbidos – Ufopa
Os
estudantes, professores, e a sociedade em geral obidense já contam com mais um
espaço para poderem realizar suas atividades de leitura e pesquisa. Já está
funcionando a Biblioteca do Campus de Óbidos da Universidade
Federal do Oeste do Pará – Ufopa. Com acervo diversificado, a
biblioteca dispõe de revistas na área de educação e livros com temas voltados,
principalmente, as licenciaturas. Também dispõe de livros na área de história
geral, psicologia, cultura grega etc. Além dos livros e revistas, ainda consta
em seu acervo, TCC´s (trabalhos de conclusão de cursos dos alunos do Parfor)
para a consulta.
A
biblioteca funciona no horário de 09h às 21:00h de segunda a sexta feira, no
Campus da Ufopa em Óbidos, situado ao lado da Escola Irmã Firmina no bairro do
Perpétuo Socorro.
Venha
estudar em nossa biblioteca!
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Por que fotografamos tanto
Seja
a foto do passeio do final de semana, da selfie de frente ao espelho do banheiro,
dos momentos de descontração, das fotos de desafios das redes sociais, ou até
mesmo, daquele acidente presenciado na esquina, tudo é registro para nossos
olhos, ou melhor, nossas lentes, sejam elas de celulares ou de câmeras
diversas. E embora eternizemos todos esses recortes do nosso cotidiano, não
paramos para nos perguntar por que o fazemos. Por que é tão importante fazer de
nossas ações uma imagem fotográfica? Por que a necessidade de “instagrarmos” o momento vivido?
Primeiramente,
a fotografia na sua origem, foi tida como arte menor, ou até mesmo,
desconceituada de adjetivos artísticos por grande parte dos artistas da época.
Isso se dava ao fato de que ela apenas reproduzia a realidade de maneira
mecânica, sendo o fotógrafo apenas um observador de todo o processo, como citou
Baudelaire. Mas o próprio Baudelaire desejou ter o retrato de sua mãe como
confessou em carta dirigida a ela em 1865: “eu
gostaria muito de ter teu retrato (...) existe um fotógrafo excelente no
Havre.” Isso mostra que eternizar a pessoa, o momento por meio de fotos não
é uma prática do agora. Mas a importância que hoje se dá para a fotografia só
começou a ganhar vida recentemente graças aos trabalhos de Walter Benjamim, na
Alemanha e Roland Barthes, na França. É importante dizer que nessa época as
famílias davam uma importância muito grande para o momento do registro. Havia o
dia de ir ao fotógrafo como nos conta Brassai em Proust e a Fotografia: “ir ao
fotógrafo era um processo complicado e os preparativos, quase que tão
complicados quanto o condicionamento de um paciente para uma operação
cirúrgica. Trajes especiais, penteados sofisticados eram debatidos em família.
Não contentes com se endomingar antes de posar solenemente para a posteridade,
ornamentavam-se com verdadeiras fantasias, chapéus, etc.; nunca antes usados ou
que jamais seriam depois (...)”. Momento quase que semelhante vivemos na
época da câmera de filme analógico em que, pela impossibilidade de se ver a
foto antes da revelação, tinha-se o maior cuidado em se posar corretamente
diante da máquina.
Feita
essa pequena explicação histórica do modo como se concebia o registro
fotográfico voltemos a nossa reflexão. Vemos que a essência do instante
contínuo fotográfico permanece quase a mesma: a captura de parte de uma
realidade. No entanto, o objetivo que cada “tirador” de fotos tem é que será
capaz de responder por que fotografamos tanto.
Não
raro, vemos fotos de fotos de pessoas que registraram um incêndio, ou acidente
sem que os registros lhes servissem muito. Apenas se fizeram do momento e,
click. Talvez a autoafirmação de onde estou e o que estou fazendo. Já para
fotógrafos profissionais, e até mesmo alguns amadores, a fotografia é expressão
de sua cultura. É levar a outros olhos, o que os olhos por trás das lentes
viram. Para estes, a exemplo de Barthes, uma foto pode ser objeto de três
práticas: fazer, suportar, olhar. Mesmo estes
não fotografam somente como expressão do seu trabalho. Muitas vezes, saem a
clicar paisagens e cotidianos urbanos. Igualam-se,
em certos momentos, aqueles que tudo fotografam e usam essas imagens para
confirmar a realidade e para realçar a experiência por meio de um consumismo estético,
como nos diz Susan Sontag.
Tirar
fotos é um evento em si mesmo. É um ato dotado de subjetivismo. Tanto a
fotografia amadora, ou profissional constitui um recorte do momento, uma
interpretação de mundo. Parafraseando Mallarmé que disse que tudo no mundo
existe para terminar num livro. Hoje, não temos dúvidas de que tudo existe para
terminar numa foto. Resta-nos apenas saber por que todo ato vivido queremos
transformá-lo em imagem-fotográfica.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
O colorido do Mascarado Fobó
Com a indumentária toda colorida, essa figura maior
do carnaval dos obidenses dá brilho e vida cultural aquele que é considerado o
maior carnaval de rua da região oeste do Pará. O Fobó é a manifestação das
pessoas que ainda tentam preservar a cultura local vestindo-se de dominó,
pulando alegremente ao compasso das marchinhas, ou das músicas dos blocos.
Quem vem a Óbidos, no período carnavalesco, vê esse
misto de “palhaço alegórico” misturado à multidão nos sete blocos que compõem a
quadra carnavalesca obidense. Mas sua presença é mais marcante no bloco Unidos
do Morro, que é considerado o bloco oficial do Mascarado Fobó.
Brincando a frente do bloco, os mascarados vão
levando alegria e desconfiança a quem assiste, pois a qualquer momento, o espectador pode ser surpreendido pelo amido de milho, item indispensável do
mascarado.
E assim, o carnaval obidense se destaca graças à
figura deste pitoresco personagem.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Espelhos virtuais
Em
tempos em que é quase obrigatório estar conectado as redes sociais para manter-se
“vivo”, bem que a mais famigerada indagação de frente ao espelho poderia ser
outra: “espelho, espelho meu” existe alguém nesse “face” mais bonito do que eu?
E nesse caso, porque não fazer a pergunta diretamente ao espelho como fez a
rainha que se sentiu ameaçada pela beleza da branca de neve? Na verdade, hoje o
espelho não mais corresponde somente a forma material do objeto pela qual nos
acostumamos a ver nosso reflexo físico refletido, e sim pelos diversos meios
que podem revelar quem de fato somos, ou queremos ser. Lembremo-nos de Narciso
que se viu refletido nas águas limpas e tranquilas que serviram como espelho
revelador da condição de belo que a ele foi revelada no momento em que viu a se
mesmo, ou melhor, conheceu a se mesmo. Do campo da mitologia para a literatura,
lembremo-nos do conto machadiano “O espelho: esboço de uma nova teoria da alma
humana” em que o espelho reflete não somente a forma física, mas a essência da
condição humana. Pensando desta forma, hoje, as redes sociais, e em especial
aquelas em que se pode postar fotos, atuam como espelho revelador da alma
humana. Sim caro leitor, a mesma revelação do alferes machadiano.
“Mudam-se
os tempos... muda-se o ser”. Hoje, o sinônimo de existência vai além da
condição física real. Ela se confunde com a vida virtual: “Penso. Faço uma
selfie. Posto no face, logo existo”. Resume o significado de existência na era
das redes sociais. A famosa selfie tirada, quase sempre de frente ao espelho do
banheiro, é antes de tudo o nosso momento narcisista, embora não completo,
pois, no mundo da hiperexposição não basta vermos nosso rosto pelo espelho da
fotografia do celular, é preciso que compartilhemos para que o olhar do outro
lance sobre nós o julgo da subjetividade expressa em curtidas e comentários.
Diferentemente
de Narciso, não mais conseguimos contemplarmo-nos sozinhos. É quase que
inconcebível guardar somente para si aquele autorretrato. Queremos torná-lo público.
Queremos despertar no outro com fotos de nós mesmos a mesma sensação que
Narciso sentiu por si mesmo. Tanto que, muitos aplicam filtros e mais filtros
em suas fotos que chegam parecerem bonecos de cera opacos e sem vida. Como se o
auto-fotogafado, descontente da leitura que a câmera faz dele, introduz na
imagem um filtro no intuito de agradar o expectador, e esse observador faz nova
leitura, pois não vê nem a pessoa real, nem a representação da captura da
câmara escura, e sim uma representação da alma daquele que se auto-fotografou:
como eu quero ser visto.
Por
fim, somos sujeitos que necessitamos dessa revelação a qual o espelho é capaz
de nos dar. Seja o espelho da selfie, das redes sociais, da própria fotografia quando
captada e exposta ao outro, seja pela nossa condição de alferes machadiano,
enfim, parece que depositamos no autorretrato a mesma essência de quando nos
embelezávamos e ficávamos muito contentes quando o elogio vinha. Nosso espelho
é outro. Nosso questionamento é subjetivo e vai muito além de sermos ameaçados
pela beleza física do outro. Somos os novos narcisos a contemplarmo-nos com a
nossa própria imagem refletida na palma da mão.
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