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O Simbolismo

1)  Origem do Simbolismo.
Seguindo a linha cronológica das escolas literárias, o Simbolismo surge logo após a Escola Realista (Realismo).
O berço simbolista é a França. Um dos grandes expoentes dessa nova escola literária é o poeta Baudelaire (1821-1867). Aliás, é o poeta Baudelaire com o lançamento de As Flores do Mal, que preconizou a gênese simbolista. Outras datas também são muito importantes: 1886, quando o surge o primeiro número de Le Parnasse Contemporain, antologia na qual colaboraram poetas parnasianos e simbolistas.
O Simbolismo é uma reação ao espírito positivista e materialista que prima na civilização industrial, interessada em novos mercados, sedenta por estender os seus domínios ao mundo africano e asiático.
2) Fatos e ideias que contribuíram para o surgimento do simbolismo.
Assim como outras escolas literárias, o simbolismo foi resultado das tendências vigentes na época. Destaca-se a crise gerada pela segunda Revolução Industrial. Do sistema capitalista emergiu uma nova ordem econômica, que beneficiava apenas a elite, em prejuízo da maioria da população, constituída pela classe média e pelo proletariado.
O grande progresso tecnológico e cientifico ocorrido naquele período não conseguiu mascarar a seria crise, em cujo centro estava a chamada Grande Depressão, que despontou na Grã-Bretanha, com repercussão em todo o continente europeu. 
Do lado literário, o simbolismo foi um movimento cultural. Sua influência bebe da Escola Parnasiana, principalmente a paixão pelo efeito estético, como nos diz o professor Alfredo Bosi. Mas os simbolistas buscaram transcender os parnasianos na busca pelo sentimento de totalidade esquecido desde o fim do Romantismo. É por isso que podemos afirmar que o movimento simbolista mergulha raízes no Romantismo.
Contribuiu para a estética simbolista a mudança de pensamento em relação a arte. Isso podemos perceber na tentativa de implementar um novo modelo de pensar a composição literária. Exemplo são os primeiros manifestos literários, que muito embora, inicialmente, não conseguiram mudar a estética parnasiana. Vindo só mais tarde a Escola Simbolista.
3) Quem foram os Decadentistas? Suas principais obras e influências para o Simbolismo. 
Em seu Dicionário de Termos Literários, o professor Massaud Moisés discorre que o termo “decadente” tem sua origem com a publicação de um artigo de Paul Bourget Théorie de la décadence. A partir daí o termo “decadente” designa os poetas novos, dentre os quais Verlaine, que ainda colabora para adensar o clima assinalado por Bourget com os seus poemas “Art Poétique” e “Langueur”.
A configuração do Decadentismo só iria se dar no ano seguinte com o lançamento de um livro de ensaios de Verlaine. O que caracterizava o pensamento decadente era o fato de que a visão desses poetas sobre religião, costumes, justiça, estava em deliqüescência. Apesar do desenfreado gozo dos apetites sensuais, do luxo, do prazer, das sensações raras oferecidas pelos tóxicos e pelas bebidas refinadas, um tédio espesso, uma histeria, um pessimismo agudo assomava por toda a parte. Anarquia, perversões, satanismo, neuroses, patologias, entravam em moda dando a impressão de um caos apocalíptico.  Mais na frente à expressão “decadente” viria a ser substituída por “simbolista” fortalecendo o termo simbolismo.
As principais obras são: Bourget com os seus poemas “Art Poétique” e “Langueur”. Verlaine, Poètes maudits; Paul Bourde; Jean Moréas;
A importância dos primeiros decadentistas para a escola simbolista resulta do fato de serem os primeiros a esboçar uma tendência literária que mais tarde se consolidaria como escola.
4) Simbolismo no Brasil: autores e obras.
O inicio do Simbolismo em terras brasileiras tem como marco o ano de 1893, quando o poeta Cruz e Sousa publica Broquéis e Missal. E para seu término, admite-se a data de 1922 (Semana de Arte Moderna). 
Ocorre no nosso Simbolismo um problema de gênese literária: se a introdução de tal escola nessas terras de cá teria se dado por motivações internas ou simplesmente uma imitação à francesa?
Indagações literárias a parte o fato é que a escola se concretizou em nosso solo. Principais obras e autores: Cruz e Sousa: Broqueis e Missal; Alphonsus de Guimaraens; Emiliano Perneta; Mario Pederneiras; Lívio Barreto; Francisco Mangabeira. Estes na Poesia.
Na prosa: Lima Campos; Gonzaga Duque; Nestor Vitor e outros.
Principais características do Simbolismo brasileiro e europeu e seus pontos de convergências.
De modo geral a escola simbolista buscou retomar alguns ideais românticos só que de forma mais radical. Eis um posto de convergência entre o que ocorreu na Europa e aqui em nosso país. Ambos buscavam dentro da poesia: representar, evocar, magia, misticismo, inconsciente. Eis as palavras chaves para se compreender esse período literário.
Há por outro lado, uma diferenciação temática no interior do Simbolismo brasileiro: a vertente que teve Cruz e Sousa por modelo tendia transfigurar a condição humana e dar-lhes horizontes transcendentais capazes de redimir os seus duros contrastes.
O Simbolismo não exerceu no Brasil a função relevante que o distinguiu na literatura européia, no qual o reconheceram como legitimo percussor o imagismo inglês, a poesia pura espanhola. Aqui, encravado no longo período realista que o viu nascer e lhe sobreviveu, teve algo de surto epidêmico e não pode romper a crosta da literatura oficial.
É interessante observar que os poetas simbolistas criaram um léxico próprio para demonstrarem a sensibilidade poética que sentiam. Era necessário representarem uma subjetividade tão intima que as palavras existentes já não eram mais suficientes, obrigando-os a buscarem novos termos.

As principais características são:
Misticismo e espiritualismo;
Subjetivismo;
Musicalidade;
Expressão da realidade de maneira vaga e imprecisa;
Ênfase no imaginário e na fantasia;
Emprego abundante de sinestesia;
Emprego de recursos gráficos; 

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OBS: veremos mais tarde na flexão dos nomes, que as desinências, também, são empregadas após o radical. Então como diferenciar o SUFIXO da DESINÊNCIA?


Resposta: O SUFIXO cria novas pala…
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