quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
Literatura da melhor qualidade
Wildson
Queiroz[1]
Com
título “Um pouco de muitas histórias”, o mais recente livro de Célio Simões de
Souza, ilustre obidense, é um belo exemplo do que temos de melhor na literatura
paraense contemporânea.
A
obra reúne uma seleção de crônicas com relatos sobre a infância e juventude do
autor vividos em sua cidade natal e em outras localidades, conta fatos curiosos
e até engraçados do cotidiano de quem vive no interior da Amazônia.
Sem
fugir da tradição literária da sua querida Óbidos, tão famosa por conta dos
ilustres Inglês de Sousa e José Veríssimo, o livro eleva seu autor, já
consagrado no meio jurídico e acadêmico, ao mesmo nível literário de seus
conterrâneos famosos.
O conteúdo apresenta-se de forma magistral sem
tornar a leitura cansativa ou entediante, os textos foram escritos de modo acessíveis
ao público em geral, não incorrendo em termos técnicos ou acadêmicos.
Impossível
não imaginar as cenas pitorescas narradas no livro levando-se em conta os
detalhes tão bem empregados pelo autor no desenrolar das histórias,
transportando o leitor ao momento exato em que o fato se dá, a bucólica Óbidos
e sua gente tão bem retratada nas mais diversas situações vividas por quem habita
as cidades quase esquecidas deste imenso país.
Li
com enorme prazer e recomendo com franqueza “Um pouco de muitas histórias” a
todos que apreciam literatura da melhor qualidade e tenham interesse em se
aprofundar e conhecer um pouco mais sobre a história e os causos regionais
contados por Célio Simões de Souza de forma leve, divertida e tremendamente
agradável.
[1]
Pedagogo, historiador e escritor, sócio fundador do Instituto histórico e
Geográfico do Tapajós – IHGTap.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
Análise do filme O Sorriso de Monalisa
O
Sorriso de Monalisa, 2004, do diretor Mike Newell conta
a saga da professora de História da Arte Katharine
Watson que tem a difícil tarefa de lecionar em um dos colégios mais
conservadores dos Estados Unidos na década de cinquenta: o colégio Wellesley. Professora com pensamento a frente de seu
tempo, se vê aprisionada pedagogicamente no tradicionalismo educacional do
colégio e na formação educacional que o mesmo propunha a suas alunas: a
formação de boas esposas.
Embora
o plano principal seja o enfoque nos desafios vivenciados pela professora
Watson com suas alunas o filme retrata principalmente a tendência pedagógica
praticada pela escola e o pensamento vivido na década de cinquenta nos estados
unidos, quanto a isso, destaca-se o papel da mulher na sociedade
estado-unidense. No que diz respeito ao método pedagógico escolar, em Wellesley
predomina o saber tradicional sem espaço para o questionamento. Eis, por isso,
o dilema da professora personagem principal do filme, uma vez que esta assume
uma forma questionadora de lecionar o que é bem explicito em seus métodos de
ensinar. Em uma das passagens do filme a professora lança o questionamento em
sala de aula para suas alunas: o que é arte? Esse questionamento, aparentemente
muito óbvio, rompe com o conteúdo automatizado da turma. As alunas, estudiosas
ao demonstrarem domínio de todo o conteúdo da apostila, não suscitavam
indagações a se próprias relacionadas a conceituação das obras de artes que
estudavam e conheciam. O que torna com que uma obra de arte seja considerada
como tal? Pode uma fotografia também ser considerada como uma obra de arte?
Nesse sentido é que a professora propunha despertar o aprender a aprender e
como consequência foi tratada como subversiva. Mas questionar o até então
inquestionável configura-se crime de subversão? Talvez para a sociedade da
época sim.
Outro
ponto bastante destacado é a concepção formativa proposta pelo colégio
Wellesley: as estudiosas alunas recebiam formação para serem boas esposas. Muito
embora, a qualidade do ensino e cobrança das alunas fosse estupenda não havia
motivação da parte da escola para que essas alunas assumissem profissões na
sociedade. No fim, acabariam como “perfeitas” donas de casa.
Por fim,
o filme tem aspectos de discussões interessantes que ainda nos dias de hoje nos
fazem (re)pensar o papel da mulher na sociedade.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
EU DIGO NÃO! AO FECHAMENTO DA ESCOLA DUQUE DE CAXIAS
Durante
esses dias, ao retornar as redes sociais, tomei de espanto um assunto, desses
que a notoriedade se dá mais nas próprias redes sociais do que nos outros meios
de informação. Tratava-se do quase fechamento (a depender do dia em que você esteja
lendo este artigo, caro leitor) da Escola Duque de Caxias, aqui na cidade de
Óbidos.
Estupefato
com a notícia estagnei-me em reflexões próprias para tentar entender o porquê
de se fechar uma escola. E a primeira vista, ou ao primeiro pensamento, fiz a
correlação com um empreendimento que não deu certo e ao final chegou-se a decisão
de fechá-lo. Mas é possível tal analogia? É possível e permitido que escolas
sejam fechadas? E para não correr o risco (mesmo já correndo)
de emitir opiniões apaixonadas pautadas unicamente na defesa da educação púbica
e de qualidade é que busquei ler algumas opiniões dos envolvidos nesse triste e
preocupante imbróglio.
Primeiro:
não defendo fechamento de escolas. Dito isto parto para minhas reflexões. Respondendo
questões que suscitei acima, ao que consta o município pode sim fechar uma
escola. Nesse caso deverão ser consultados os conselhos de educação como define
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB. Segundo a secretária de educação
de Óbidos, Ana Nilva, isso foi feito. Por outro lado, os pais alegam que em nenhum
momento foram consultados sobre tal medida. Será se esses não deveriam também ter
sido ouvidos? Mas por que fechar a Escola Duque de Caxias? Segundo a secretaria
de educação as fundamentações principais são:
a falta de estrutura física para a prática de esportes (quadra esportiva) e
o pouco número de alunos matriculados
obrigando uma reestruturação dessas turmas para outras escolas do município.
Discussão
pra cá... discussão pra lá... elenco meus argumentos pelos quais enfatizo minha
opinião totalmente contrária ao fechamento da escola. a) A Escola Duque de
Caxias é uma das melhores escolas (se não a melhor), dentro da sua abrangência de
séries, classificada no IDEB, quando comparada as demais no município de
Óbidos. http://www.xupaosso.com.br/index.php/obidos/educacao/3168-duque-de-caxias-teve-a-melhor-pontuacao-do-ideb-em-obidos
(classificação de 2014); http://www.xupaosso.com.br/index.php/obidos/educacao/1591-a-escola-duque-de-caxias-tem-a-melhor-media-do-ideb
(classificação de 2012); além disso, a escola apresentou um dos melhores índices nos últimos anos:
2011: 5,3; 2013: 5,6; e em 2015: 5,8, sempre acima da meta; b) Ainda que a
estrutura física não seja a mais adequada à escola possui central de ar em
todas as suas salas conquista da própria comunidade escolar que se mobilizou
para a aquisição das centrais. Para um argumento raso, no entanto, chega quase
ser um privilégio uma vez que quase todos os alunos da rede pública têm de
suportar o calor infernal das salas; c) O pouco número de alunos por turma o
que deveria ser visto como algo positivo, pois como sabemos com poucos alunos o
professor pode desenvolver um trabalho melhor; d) História e tradição na educação
obidense. São 48 anos construindo a formação educacional de milhares de pessoas;
e) Escola é Escola e como tal não pode simplesmente ser vista como um bem que
chegou ao fim de sua vida útil.
Por fim, faço um apelo aos gestores do município, em especial
prefeito e vereadores. Não joguemos uma pá de cal em mais uma história desse
município. Ao invés de fechar a escola, embora haja competência e legalidade
para tal, por que não pensar um pouquinho mais e tentar propor junto à
comunidade escolar uma solução para os problemas existentes?
Que, ao passo que este artigo seja lido por você, amigo
leitor, a escola ainda exista, haja aula, haja vida naquele espaço. Mas se do
contrário nada disso venha a permanecer convido desde você a ler meu futuro artigo:
Óbidos a “cidade do já teve”...
Some-se a nós. Diga NÃO você também.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Por novas lembranças imagéticas
Quando
iniciamos o aprendizado de aprender a fotografar tudo se torna fotografável aos
nossos olhos. Logo, o nosso álbum virtual cresce de tal forma que não conseguimos
mais espaço para guardar tudo aquilo que clicamos. E como imagens essas
capturas ganham simbolismo especial ao passo que relutamos muitas vezes em
apagar esta ou aquela imagem. Mas chega o momento em nosso progresso que
precisamos recapturar de forma nova todos os instantes inúmeras vezes clicados
por nós. Temos que matar aquelas velhas imagens!
Uma foto
é muito mais que uma impressão num quadro, ou as curtidas recebidas quando
exposta em rede social. Fotografias são memórias imagéticas. São traduções de
uma vida, de um recorte (a)temporal, de alegrias e tristezas reveladas por meio
de um processo mecânico-químico. Mas uma fotografia não pode tornar mecânico o
olhar do operador da câmera. Por isso, matei minhas fotografias antigas
(deletei literalmente). Pus-me num processo de fazer totalmente novo o velho;
de dar luz a novos ângulos e conceitos próprios.
E hoje,
que comemoramos o dia do fotógrafo mais que nunca (re)pensemos no nosso
conceito de produção de imagens, no nosso conceito de memórias imagéticas uma
vez que, a todos que fazem uso da criação de imagens (fotografando), recebem
também o título de fotógrafos. Sim! Fotógrafos todos são. E por isso, nos
compete o processo de recriação.
Matemos
nossas antigas memórias imagéticas; e façamos vir à luz todas as fotografias inéditas.
Viva
a fotografia!!!
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