sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O colorido do Mascarado Fobó

Em Óbidos, a presença de um personagem se sobressai em meio aos muitos foliões que seguem os trios elétricos pelas ladeiras da cidade presépio no período do carnaval. Este personagem é o famigerado Mascarado Fobó.

Com a indumentária toda colorida, essa figura maior do carnaval dos obidenses dá brilho e vida cultural aquele que é considerado o maior carnaval de rua da região oeste do Pará. O Fobó é a manifestação das pessoas que ainda tentam preservar a cultura local vestindo-se de dominó, pulando alegremente ao compasso das marchinhas, ou das músicas dos blocos.

Quem vem a Óbidos, no período carnavalesco, vê esse misto de “palhaço alegórico” misturado à multidão nos sete blocos que compõem a quadra carnavalesca obidense. Mas sua presença é mais marcante no bloco Unidos do Morro, que é considerado o bloco oficial do Mascarado Fobó.

Brincando a frente do bloco, os mascarados vão levando alegria e desconfiança a quem assiste, pois a qualquer momento, o espectador pode ser surpreendido pelo amido de milho, item indispensável do mascarado.

E assim, o carnaval obidense se destaca graças à figura deste pitoresco personagem.












segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Espelhos virtuais



Em tempos em que é quase obrigatório estar conectado as redes sociais para manter-se “vivo”, bem que a mais famigerada indagação de frente ao espelho poderia ser outra: “espelho, espelho meu” existe alguém nesse “face” mais bonito do que eu? E nesse caso, porque não fazer a pergunta diretamente ao espelho como fez a rainha que se sentiu ameaçada pela beleza da branca de neve? Na verdade, hoje o espelho não mais corresponde somente a forma material do objeto pela qual nos acostumamos a ver nosso reflexo físico refletido, e sim pelos diversos meios que podem revelar quem de fato somos, ou queremos ser. Lembremo-nos de Narciso que se viu refletido nas águas limpas e tranquilas que serviram como espelho revelador da condição de belo que a ele foi revelada no momento em que viu a se mesmo, ou melhor, conheceu a se mesmo. Do campo da mitologia para a literatura, lembremo-nos do conto machadiano “O espelho: esboço de uma nova teoria da alma humana” em que o espelho reflete não somente a forma física, mas a essência da condição humana. Pensando desta forma, hoje, as redes sociais, e em especial aquelas em que se pode postar fotos, atuam como espelho revelador da alma humana. Sim caro leitor, a mesma revelação do alferes machadiano.

“Mudam-se os tempos... muda-se o ser”. Hoje, o sinônimo de existência vai além da condição física real. Ela se confunde com a vida virtual: “Penso. Faço uma selfie. Posto no face, logo existo”. Resume o significado de existência na era das redes sociais. A famosa selfie tirada, quase sempre de frente ao espelho do banheiro, é antes de tudo o nosso momento narcisista, embora não completo, pois, no mundo da hiperexposição não basta vermos nosso rosto pelo espelho da fotografia do celular, é preciso que compartilhemos para que o olhar do outro lance sobre nós o julgo da subjetividade expressa em curtidas e comentários.

Diferentemente de Narciso, não mais conseguimos contemplarmo-nos sozinhos. É quase que inconcebível guardar somente para si aquele autorretrato. Queremos torná-lo público. Queremos despertar no outro com fotos de nós mesmos a mesma sensação que Narciso sentiu por si mesmo. Tanto que, muitos aplicam filtros e mais filtros em suas fotos que chegam parecerem bonecos de cera opacos e sem vida. Como se o auto-fotogafado, descontente da leitura que a câmera faz dele, introduz na imagem um filtro no intuito de agradar o expectador, e esse observador faz nova leitura, pois não vê nem a pessoa real, nem a representação da captura da câmara escura, e sim uma representação da alma daquele que se auto-fotografou: como eu quero ser visto.  

Por fim, somos sujeitos que necessitamos dessa revelação a qual o espelho é capaz de nos dar. Seja o espelho da selfie, das redes sociais, da própria fotografia quando captada e exposta ao outro, seja pela nossa condição de alferes machadiano, enfim, parece que depositamos no autorretrato a mesma essência de quando nos embelezávamos e ficávamos muito contentes quando o elogio vinha. Nosso espelho é outro. Nosso questionamento é subjetivo e vai muito além de sermos ameaçados pela beleza física do outro. Somos os novos narcisos a contemplarmo-nos com a nossa própria imagem refletida na palma da mão.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Poema de reconquista

Deixei por bom tempo de escrever-te.

Sustente-mei em rimas passadas

como se elas fossem esteios eternos

Que não precisassem de reparos. Mas me enganei…

A rima do amor precisa continuamente ser reinventada…

Mesclada com outras rimas

Para que novas rimas

Rimem no compasso dado da relação.

E se te peço perdão,

É pelas vezes que a literariedade amorosa ficou adormecida..

Quero novamente te (re)conquistar !

Reascender juras de outrora.

E que seja nessa hora de tristeza de ambos os corações…

Continuar a ser único em teu espírito.

Ser...

Me refazer de sentimentalidades veladas somente a ti.

Eu quero...

Desejo…

Eu vou te reconquistar!


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Sobre Câmeras e câmeras fotográficas

O caso se deu ao entardecer de ontem. Caminhando sobre o cás obidense o transeunte se aproxima de mim e indaga se havia fotografado o lindo por do sol daquele momento. Eu respondi que sim: fotografei lá de cima. Ele todo entusiasmado me confessa que também capturou o momento de despedida do sol. E mais: mostra-me a fotografia feita em seu simples celular. E complementa: se fosse numa câmera profissional (como essa sua – ele deve ter imaginado) teria ficado “boa”... a imagem em si por ele capturada estava boa. Transmitia a poesia do momento. Mas o que me chamou atenção mesmo foi à analogia de quanto mais cara e profissional a câmera melhor e mais bonita é a foto. Ora, como assim? Cadê a capacidade técnica e artística de quem fotografa para que a imagem represente bem o momento capturado?
Fotografar bem não é acaso de sorte. É antes de tudo, estudo e prática. Sim. Fotografar se aprende. Não se nasce fotógrafo. Torna-se fotógrafo. E não é qualidade técnica da câmera que definira o grau de perfeição da imagem capturada. Não necessariamente. É como se pensasse: comprei uma DSLR agora todas as minhas fotos serão lindas e impressionantes. Mesmo que o fotógrafo, embora amador, fotografe no modo automático, ainda sim, será necessário aprender sobre o ato fotográfico. Câmeras não fotografam sozinhas. Nem todos os olhos são capazes de ver as mesmas coisas nas mesmas coisas.

Assim, câmeras não fazem fotógrafos. Muito embora, câmeras boas ajudem a pessoas se tornarem fotógrafos. Resolução e lentes não são tudo. Fotografar antes de apertar somente um botão é aprender a reconhecer a fotografia em sua volta. Só fazemos boas fotos quando conseguimos recortar de nossa realidade aquilo que nem todos enxergam. E isso, celulares, smartphones, câmeras compactas e DSLR’s são capazes de fazer. O olho ver a cena e a câmera faz o registro. O contrário não é verdadeiro. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Uma visita a Serra da Escama: Forte Gurjão Óbidos – Amazônia

Agora posso dizer que visitei os pontos de fortificação em Óbidos pois, ontem, dia 01 de novembro, juntamente com um grupo de amigos e conhecidos subimos a Serra da Escama, local onde se encontra o Forte Gurjão (ou o que ainda há dele).

Essa caminhada há muito vinha querendo fazê-la. Por inúmeras vezes o meu amigo Mauro Pantoja já havia me falado da ideia de reunir um grupo de pessoas para fazer a trilha, e eis que no último domingo tudo deu certo.

Saímos de frente da cidade, um grupo de mais de 10 pessoas, por volta de 8:30 da manhã. Aproveitando o período de seca do amazonas fomos caminhando tranquilamente até a entrada da trilha. O percurso não é muito difícil o que não quer dizer que não se deva tomar os devidos cuidados, como por exemplo, com cobras que podem se esconder nas folhas caídas no chão. A subida é um pouco íngreme e coberta pela vegetação. Um clima ameno e não quente. Por volta de quase uma hora de caminhada, ou bem menos, já estávamos conhecendo os canhões que compõem o conjunto do Forte Gurjão.

Os canhões são do período da primeira década de 1900. Infelizmente, o que pudemos constatar foi o total abandono desse patrimônio tombado pelo IPHAN. Muitas pichações e bastante lixo tomam conta do espaço que faz parte, não somente da história de Óbidos, mas do Brasil uma vez que o Forte teve papel significativo até na revolução de 1922.

Contemplamos por certo período a Fortificação. Conversamos sobre o descaso que vimos e propomos a ideia de uma nova visita desta vez com um enfoque ecológico. Quem sabe a secretaria de meio ambiente nos apoie, e até mesmo outras pessoas, para que possamos realizar, a exemplo de Santarém, uma caminhada ecologia a Serra da Escama.

Por hora, fiquemos a contemplar essa natureza e história, ainda viva de nosso município, e futuramente junte-se a nossa ideia e venha fazer a sua parte em prol da preservação deste espaço histórico cultural.