quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Uma visita ao Forte Pauxis Óbidos – Pará

No último sábado, 01/08, à tardinha, quase que de praxe, saí pelas ladeiras estreitas do centro histórico da cidade de Óbidos em busca de novos registros do cotidiano dos pauxiaras. Resolvi então fotografar o Forte Pauxis (uma das únicas fortificações permanentes construídas após o período da Regência (1853)). Nesta minha terceira ida a Fortificação Portuguesa tive a feliz surpresa que, embora, o prédio esteja fechado para reforma e requalificação há mais de três anos, ainda sim, mas não legalmente, o espaço histórico é visitado por turistas vindos de outras cidades. Na ocasião, além de uma família de obidenses, um casal de Belém vislumbrava os canhões e a estrutura antiga do prédio. Vendo-os com um guia turístico da cidade em mãos (aquele do professor Paulo Barros), logo iniciei conversa perguntado o que acharam do Forte. Falaram-me que ficaram muito contentes em conhecer uma das Fortificações fora da capital Belém. Mas ao mesmo tempo mostraram-se tristes e sem entender como uma prefeitura abandona um patrimônio histórico tão rico como esse. O mesmo me confidenciou o senhor obidense que lá estava com sua família.
Queixas a parte, o Forte Pauxis transpira a história remota do tempo de sua fundação. Nos faz imaginar os acontecimentos guardados ali por suas paredes e muretas. Seus canhões, apontados para a garganta do Rio Amazonas, nos fazem pensar na tensão dos navios que por ali passaram naquela época.
Mais que imaginar a história passada é preciso imaginar a história que queremos para o futuro. É inegável o estado de abandono que o prédio se encontra: canhões todos pinchados, mato tomando conta do lugar, espaço servindo de motel e ponto de uso de bebedeiras e drogas. É sabido que o IPHAN recentemente vistoriou o espaço e a retomada das obras, já tem um tempinho, foi brindada pelos quatro cantos da cidade. Mas até agora...

Ainda sim, vale muito a pena a visita. Fica aqui o convite. Não somente ao Forte Pauxis com também aos demais pontos históricos de nossa cidade.











terça-feira, 4 de agosto de 2015

O texto literário de expressão amazônica: em defesa da poética amazônica na sala de aula

Esse texto é parte de meu artigo de Especialização apresentado a Faculdade Educacional da Lapa - Fael.
Quando se fala em trabalhar textos locais, não se trata de querer negar o cânone literário, ou de querer, simplesmente, regionalizar o estudo com o estudo literário. Pelo contrário, trata-se de uma tentativa de aproximar o aluno da leitura fazendo com ele perceba que o que ele lê, é a sua própria realidade, coisa que outro texto (distante do seu cotidiano) não seria capaz de despertar. Caso dos livros didáticos que por vezes traduzem uma realidade que foge a vivência do aluno amazônida. Em alguns casos um estudante da zona ribeirinha conhece a literatura do sul do país, mas desconhece os principais autores da Amazônia brasileira como: Inglês de Sousa, Abghuar Bastos, Bruno de Menezes, Dalcídio Jurandir, Eneida de Moraes e Milton Hatoum. E os desconhece, primeiramente, pelo próprio desconhecimento de seu professor. E em segundo lugar, porque a literatura que aqui se produz não habita o considerado cânone literário por ainda ser considerada por muitos como literatura de margem ou de borda. Nesse sentido:
Estar à margem ou nas bordas também significa, entre outras semânticas, não ter passagem para a escola, o sistema central da educação escolar. Estamos, então, na borda com as literaturas que admitem os adjetivos infantil, oral, popular e regional, africana, indígena, feminina, de testemunho, entre muitas outras. E, muitos de nós, professores de literatura, além dos autores de livros didáticos, desconhecemos essas literaturas e por isso não temos como estabelecer diálogos intertextuais [...]. E, o mais grave, quando conhecemos não estamos preocupados em discuti-las, inclui-las, valorizá-las, entronizá-las. Torcemos pelo homogêneo? (FARES, 2013, p.83).  
 Embora os saberes literários da Amazônia e de seus escritores não tenham o espaço devido que mereçam na sala de aula, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação ressalta a importância de incluir no currículo escolar essa experiência de textos que retratem a realidade do aluno. É nesse sentido que incluir o texto literário de expressão amazônica no cotidiano do aluno faz todo sentido. É pela experiência literária que o aluno não só aprende o conteúdo programático, mas se percebe enquanto individuo dentro da sua própria realidade no texto lido. 
Trata-se de:

Apresentar uma proposta voltada para os alunos [...], capaz de despertar o prazer da leitura partindo dos elementos culturais comuns aos alunos através de leitura e performance em sala de aula, favorecendo uma melhor recepção do texto literário para o desenvolvimento da consciência crítica dos alunos e uma maior valorização de sua identidade cultural (CRUZ, 2004, p. 79-80).   
Quer-se, uma maior aproximação entre o texto literário, a realidade local do aluno e o gosto pelo texto de literatura possibilitando assim o desenvolvimento pleno da leitura do aluno partindo do mundo em que vive para a palavra que lê. Ideia essa já pensada desde a criação do livro Texto e pretexto: experiência de educação contextualizada a partir da literatura feita por autores amazônicos e que até hoje serve de inspiração para muitos professores.

Outro ponto de defesa a favor do texto literário de expressão amazônica seria o fato de este trazer para suas entrelinhas a oralidade presente nos contos e causos amazônicos que se ouve pelas bandas daqui.  Botos, boiúnas (cobra mítica da Amazônia), e outros seres devem, além de habitar o imaginário caboclo amazônico, também, habitar as salas de aulas. A este saber é necessário reservar espaço nos currículos das escolas da região. 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Editor do blog defende Especialização em Literatura

Mais um passo dado rumo ao conhecimento. É assim que defino a conclusão de minha Especialização em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura defendida no dia 22/07/2015.
O trabalho cujo o título O texto literário de expressão amazônica na sala de aula: compartilhando experiências teve por objetivo defender o uso da poética literária amazônica na sala de aula. Para isso utilizei-me do resultado do projeto PIBID – Ufopa – Letras do qual fui bolsista durante dois anos.

Agora a estrada a seguir é o mestrado. E que este venha na hora certa do jeito certo.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Mesa redonda discute aspectos históricos, literário infantil e musical de Óbidos

Aconteceu, no último sábado, 25/07/2015, dentro da programação do IV Fecima, a mesa-redonda “Literatura e Cenários Culturais de Óbidos”.
Promovida pela AALO, a mesa-redonda contou como mediador o Prof. Dr. Evander Batista (membro da AALO) e como debatedores o Professor historiador Carlos Vieira, a Professora e escritora Edite Carvalho e o músico/compositor obidense Eduardo Dias.
O evento buscou discutir os aspectos históricos, literário infantil e musical dentro da cultura obidense, respectivamente, pelos membros da mesa. Vale destacar a síntese cultural histórica da cidade apresentada pelo professor Carlos Vieira. A produção literária infantil contemporânea que se produz em Óbidos relatada pela escritora Edite Carvalho e o percurso da gênese musical obidense discorrida pelo músico Eduardo Dias.

Foi um momento de rico aprendizado para os ouvintes. E que mais eventos desta natureza possam acontecer. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A Arte Literária de Paulo Nunes

 

Em Citrial: uma história que parece duas - 1986
Portugal, nosso avozinho - 2000
O Mosquito qu´engoliu o boi - 2002
Paulo Nunes é paraense de Belém. Professor da Universidade da Amazônia, Belém, Pará; estuda autores da lusografia: africanos de língua portuguesa e os afropararenses, bem como a literatura brasileira de expressão amazônica. Seu trabalho deságua em 2 fontes: a literária e a didática. Entre os didáticos, destaca "Texto e Pretexto", estudo de autores amazônicos, trabalho pioneiro voltado aos alunos do nível médio de ensino, em parceria com Josebel Akel Fares​Josse Fares e Reivaldo Vinas, 1988/1992. Coautor de "Do Texto ao Texto", fruto de projeto de regionalização de didáticos da SEUC-PA). Entre os textos literários, destacam-se: "Banho de Chuva" (Amazônia vídeo e livros), 5 edições, recebeu o selo Salas de Leitura/Bibliotecas Escolares do MEC. "O mosquito qu'engoliu o boi", ilustrado por Emmanuel Nassar (Paka-Tatu editora), "Baú de bem-querer" (Paulinas, indicado ao Jabuti de ilustração, 2006). "Ou: poemas não são linguagens" (edição do autor, 2010). "Gitos, meus minicontos amazônicos" (Pakatatu, 2014), ilustrado por Cláudia Cruz​. Tem textos vertidos para o inglês por James Bogan e Stefan Tobler..
Paulo Nunes participou, na década de 90, do projeto o Escritor na cidade da Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro; tem ensaios publicados em diversas revistas nacionais de literatura.
Pedras de Encantaria - 2001
Fonemas de Alinhavo - 2001
Banho de Chuva - 2001