sexta-feira, 20 de junho de 2014

Contos: A PUTA



Engana-se quem pensa que ela sentia alguma vergonha do que fazia. Quando indagada sobre o exercício da profissão respondia sem meio termo: puta! Ela não era prostituta (termo mais ameno da profissão) era puta mesmo. Na sua cabeça prostituta era quem atendia a clientes Vips em motéis e ambientes mais requintados da cidade. E ela, só podia oferecer seus serviços a operários, para os quais o corpo do produto não tem muita importância. Era uma puta cujo custo X benefício era de longe o melhor. Puta requenquela que faz atendimento em cabaré sempre cobra mais barato. E nessa relação financeira todos saem ganhando. 

Mas por trás do corpo há o ser mulher. E esta era veterana na profissão. Havia herdado o oficio da mãe. A paternidade era um mistério. Poderia ser qualquer um desde o açougueiro ao aposentado. A aparência era típica de quem cobra não mais que R$ 20,00 pelos serviços: semblante sofrível, cabelos mal escovados, unhas mal feitas, um batom ordinário nos lábios e a vestimenta que só reforçava o que vendia, no caso, o próprio corpo. A instrução escolar faltava-lhe. Só fazia bom uso da língua naquilo que a profissão exige. Era vulgar e desbocada. Qualquer aborrecimento era o suficiente para mandar tomar no... Mas como toda puta velha metia-se a dar conselhos. Talvez o conselho mais importante não lhe foi dado e, por isso, o oficio parecia ser familiar.

Dizem que certo dia ela foi vista na companhia de uma linda jovem, lá pela orla, observando o vai e vem de carros de luxos como se estivesse ensinando todo o fluxo daquele movimento.

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